idade de ser idoso

Que idade define o que é ser idoso, 60, 75 ou 120 anos?

Segundo os diretores da Sociedade Italiana de Gerontologia e Geriatria, uma pessoa com 60 anos nos dias de hoje possui funções cognitivas e físicas semelhantes às de uma de 40 anos no final do século passado.

Afinal o que é ser idoso? 

Para Mauro Wainstock o envelhecimento é um processo natural, poderoso e vitalício.

É preciso encarar o envelhecimento como uma celebração da sabedoria”, diz Alexandre Kalache.  Como diz a escritora Ashton Applewhite, autora do livro This Chair Rocks: A Manifesto Against Ageism, o “envelhecimento não é uma doença. É um processo natural, poderoso, vitalício e que une todos nós”.

Aos 69 anos, a autora estimula a mobilização contra o etarismo (preconceito etário):

Nós temos vergonha do nosso envelhecimento. Defendo que as pessoas formem grupos e falem sobre isso. Que criem uma rede de suporte para apoiar uns aos outros”.

Na mesma linha de raciocínio, a antropóloga Mirian Goldenberg, de 64 anos, autora de 30 livros, entre os quais “A invenção de uma bela velhice”, concorda que “velho é uma palavra carregada de estigmas, de preconceitos, de doenças, de inutilidade, de algo descartável”. Propõe outra iniciativa: “Temos de lançar uma campanha: ‘Escute o seu velho’. Que seja meia hora por dia. Ligue, escute o que ele tem a falar. É o que eles mais precisam, ter com quem falar, sair da invisibilidade, ter atenção de alguém e não ficar recebendo ordens como se fossem incapazes. É escutando que vamos saber o que eles precisam, querem e sentem prazer na vida”. O fato de o envelhecimento continuar a ser representado sob a forma de perdas, faz com que muitas capacidades que as pessoas idosas possuem permaneçam ocultas e os seus benefícios não sejam devidamente valorizados.

Célia Pereira Caldas, pós-doutorada em Gerontologia pela USP e pela Universidade de Jönköping, na Suécia, ressalta a importância da implementação de ações que não apenas interfiram em aspetos relacionados com a saúde, mas permitam o combate ao preconceito, incentivando as virtudes desta faixa etária e promovendo a sua inserção de forma adequada na sociedade. Para a especialista, deve-se buscar o fim do paradigma do envelhecimento objetivado na figura de velho vinculado a doenças, inútil e limitado; o novo conceito deve estar ancorado na representação de idoso capaz, o qual vem associado a representações positivas, independência e ânsia por viver. De acordo com a autora, torna-se, também, necessária, uma mudança na conscientização, através das ações educacionais. No ambiente familiar, o suporte e o convívio com os entes queridos são entendidos como fatores primordiais para o desenvolvimento de um envelhecimento saudável e devem ser incentivados pela sua participação ativa na vida cotidiana. Nas escolas, é fundamental proporcionar encontros intergeracionais, seja por meio de rodas de conversas, seja enfatizando este tema nos currículos. No mundo corporativo, por sua vez, é necessário demonstrar os benefícios do conhecimento acumulado, do networking poderoso e das valiosas experiências adquiridas durante o decorrer da vida deste profissional. Em todos estes ambientes, os 60+ são verdadeiras “autoridades históricas” para propiciar trocas enriquecedoras que podem contribuir para a evolução mútua. Este processo, já foi iniciado de alguma forma na Itália; país que mudou a definição de idoso para 75 anos. O número não é aleatório, mas sim baseado em dez anos antes da expectativa de vida. Segundo os diretores da Sociedade Italiana de Gerontologia e Geriatria, uma pessoa com 60 anos nos dias de hoje possui funções cognitivas e físicas semelhantes às de uma de 40 anos no final do século passado. O representante da entidade, Roberto Bernabei, cita o próprio pai como exemplo de um profissional ativo: ele fundou uma produtora de cinema com 70 anos e obteve muito sucesso.

Segundo o estudo da Universidade de Washington, que reuniu dados de cerca 195 países, em 2040 a Itália terá a sexta maior expectativa de vida do mundo, com 84,5 anos. Perderá apenas para Espanha (85,8 anos), Japão (85,7 anos), Singapura (85,4 anos), Suíça (85,2 anos) e Portugal (84,5 anos). Na pesquisa, o Brasil ocupa o 82º lugar no ranking, com 78,5 anos. Por outro lado, um estudo recém-publicado na revista Royal Society Open Science sobre o limite máximo para a expectativa de vida humana concluiu que, com os avanços na assistência à saúde e no estilo de vida, será possível chegar ao 130º aniversário ainda neste século. Os pesquisadores analisaram o comportamento de mais de 3.800 “semi-supercentenários” italianos, que viveram pelo menos até os 105 anos, e de mais de 9.800 pessoas que alcançaram a mesma longevidade na França. Até agora, a pessoa que viveu mais tempo foi Jeanne Calment, uma francesa nascida em 1875 que morreu em 1997, aos 122 anos e 164 dias. Neste sentido, fica a pergunta: cada vez mais pertinente:  quando deve uma pessoa ser considerada idoso(a), aos 60, 75 ou 120 anos? O gerontólogo Alexandre Kalache, de 75 anos, presidente do International Longevity Centre Brazil e diretor da Age Friendly Foundation, que diz:

 “É preciso encarar o envelhecimento como uma celebração da sabedoria”.

Alexandre Kalache