Cuidados a idosos o que ainda falta fazer

Cuidados a idosos o que ainda falta fazer e a situação em Portugal

Em Portugal, os trabalhadores do serviço social e dos cuidados continuados são dos mais mal pagos a nível europeu, aponta um relatório recente da Fundação Europeia para as Condições do Trabalho (Eurofound).

A Fundação Europeia para as Condições do Trabalho alerta que a área dos cuidados a idosos é aquela que se encontra mais mal paga e com mais lacunas devido aos horários irregulares, aos salários baixos e, sobretudo, a necessidade premente de mais recursos humanos nesta área.

Apesar do setor dos cuidados continuados à terceira idade está em franco crescimento em toda a União Europeia, um continente fortemente envelhecido, as necessidades de mais recursos humanos especializados e de uma revisão séria e consciente dos salários pagos nesta área são fatores a ter em conta e a modificar se tal for possível. Em Portugal, os trabalhadores do serviço social e dos cuidados continuados são dos mais mal pagos a nível europeu, aponta um relatório recente da Fundação Europeia para as Condições do Trabalho (Eurofound).

Os baixos salários não são, no entanto, exclusivos de Portugal neste setor. Na generalidade dos países da União os trabalhadores dos cuidados continuados recebem bastante abaixo da média. Os valores mais elevados são pagos em países como a Holanda, com um salário que representa 94% do ganho médio no país.

A Entidade Europeia que realizou este estudo, destaca também, indícios de uma forte prevalência de recibos verdes neste setor no nosso país. Dos dados recolhidos, cerca de 49% de trabalhadores independentes são enfermeiros da rede de cuidados continuados da zona Centro.

Em toda a União, a Eurofound estima que haja 6,3 milhões de pessoas com vínculos formais de emprego nos cuidados, representando 3,2% de todos os trabalhadores. Já o universo de cuidadores informais – grande parte das vezes, familiares e amigos das pessoas que precisam de apoio – é estimado em 44 milhões de pessoas, 12% da população europeia adulta.

Para Portugal, o estudo estima que a proporção de trabalhadores ao serviço de cuidados formais represente 3,4% dos trabalhadores, numa proporção um pouco acima da média europeia. Suécia (7,1%), Holanda (6,4%) e Bélgica (5,5%) têm os maiores contingentes de pessoal ao serviço dos cuidados continuados.

A Eurofound alerta para a crescente falta destes profissionais, para a importância da melhoria das condições laborais dos cuidadores de pessoas da terceira idade e, sobretudo, para um novo e diferente olhar sobre esta problemática tendo em conta que todo o continente europeu está envelhecido e que, tendo em conta que a esperança média de vida aumentou, serão precisas novas e diferentes formas de abordar e refletir sobre esta problemática.