Hidratação

Hidratação

A importância de adaptar de acordo com a estação climática

O corpo humano é constituído, em sua grande parte, por água, a qual é utilizada para diversas funções do organis-mo, como por exemplo para o transporte de nutrientes e regulação da temperatura corporal, além de compor tecidos e células (Constant, 2010).

Desidratação, um problema comum

A desidratação é muito comum nos idosos e está entre as causas mais frequentes de internamento entre estes indivíduos, visto que há maior perda de fluidos e diminuição do consumo hídrico. O motivo pelo qual a desidratação e não ingestão de líquidos está tão presente nesta população pode estar relacionado com medo da incontinência; falta de informação sobre a recomendação de água adequada; alterações sensoriais; demência; perda da mobilidade; fatores fisiológicos e até mesmo ambientais (Wotton & Munt, 2008; Mentes, 2006).

Mudanças climáticas e os sinais

As mudanças climáticas e as estações do ano contribuem para o aumento do risco de desidratação. No verão e primavera as ondas de calor são prevalentes, o que aumenta a perda de fluidos, e no inverno e outono há a diminuição da sensação de sede que é potencializada nos idosos devido ao deficit de recetores que a ativam.

Os sinais que podem ser considerados como indicadores de desidratação são: diminuição de peso; confusão mental; cãibras e cansaço muscular; astenia e urina escura (Vivanti et. al., 2008). A desidratação pode levar a complicações de outras patologias: aumenta o risco para situações de tromboembolia, infeções urinárias e pulmonares, insuficiência renal, úlceras por pressão e diabetes (Schols et.al.2009).

A prevenção é sempre a melhor ação

Desta forma é importante prevenir a desidratação, atentar-se aos seus sinais e às estações do ano que levam a alterações climáticas. Nas estações do ano onde as temperaturas são mais amenas (outono e inverno) a sensação de sede é menor, portanto, deve-se estimular a ingestão de água mesmo que não sintam sede: estabelecendo horários regulares para o consumo hídrico e facilidade no acesso às bebidas (garrafas de água visíveis em locais onde o idoso permanece por mais tempo); tornar a bebida mais atraente visualmente com frutas e folhas aromatizadas; uso de chás, cafés e chocolates quentes. Já no verão e primavera, as temperaturas são mais eleva-das e é importante aumentar a frequência hídrica e oferecer bebidas mais refrescantes para facilitar o consumo, como sumos naturais, smoothies e sorbets de frutas à base de água.

Outras estratégias incluem: consciencialização da família e/ou equipa de saúde, as-sistência para beber, apoio e proximidade no uso da casa-de-banho e uma maior va-riedade de bebidas à disposição. É importante considerar também as preferências do idoso, uma vez que podem ter prazer e um estímulo maior quando consomem outros líquidos que não sejam a água, como o chá quente ou gelado, café, sumo de frutas, água com gás, bebidas / refrigerantes carbonatados, ou água (Volkert et al. 2018).

Há uma quantidade ideal?

Em relação à quantidade total de líquidos (água, bebidas e alimentos), a ESPEN (European Society for Clinical Nutrition and Metabolism) e a EFSA (European Food Sa-fety Authority) recomendam 2,0L/dia para mulheres e 2,5 L/dia para homens, sendo que 80% desse líquido precisa de vir de água e bebidas como sumos, chás e leite. Estes valores consideram condições mo-deradas de ambiente, temperatura e nível de atividade física. Se o idoso estiver no verão e/ou alto nível de atividade física, febre, diarreia, vómitos ou hemorragias, esse valor deve ser aumentado. Por outro lado, situações clínicas específicas, como a insuficiência cardíaca e insuficiência renal, podem pedir uma restrição de líquidos (Volkert et al. 2018).

O papel da família

Vale salientar a importância da observação pela família, cuidadores e profissionais de saúde, caso o idoso apresente disfagia a líquidos e incontinência urinária. Em ambas as condições clínicas, há uma tendência a reduzir a ingestão de líquidos a fim de minimizar danos, porém essa não é a melhor estratégia. Os idosos precisam de ser instruídos sobre as situações e como lidar com cada uma, prevenindo a desidratação (Ferry, 2005). Deste modo, apesar da hidratação pa-recer um tema já bastante abordado, deve-se ter por todos uma abordagem completa não somente clínica, como nutricional e comportamental, rompendo mitos, tabus e repetições rasas das mesmas formas de ação.

Fonte: Revista Dignus, ed. nº5, pag. 6-7
Autoria:
Milena Yuri Suzuki | Diretora de Suporte à Profissão da Associação Brasileira de Gerontologia
Nathália Cristina R. D’Abruzzo | Nutricionista pela Universidade Cruzeiro do Sul