Bastonária da Ordem dos Farmaceuticos

Bastonária dos Farmacêuticos diz que descoberta da insulina foi uma das maiores da história

A insulina é ainda hoje “a mais importante de todas as terapias para a diabetes”, tendo a bastonária dos Farmacêuticos indicado que “é a mais natural em termos de reconhecimento pelo nosso organismo”.

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos considerou hoje que a descoberta da insulina, há 100 anos, “é uma das maiores da história da medicina” por ter salvo muitas vidas e garantido qualidade de vida aos diabéticos.

Assinalando o centenário da descoberta desta hormona, a investigadora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL) afirmou à Lusa que este foi “um marco só comparável à descoberta da penicilina e da cura para a tuberculose”.

“Antes da insulina, os médicos prescreviam dietas absolutamente radicais em que as pessoas ficavam tão enfraquecidas que acabavam em pele e osso, não resistindo e morrendo com infeções”, explicou a bastonária Ana Paula Martins.

Cem anos depois, a insulina é ainda hoje “a mais importante de todas as terapias para a diabetes”, tendo a bastonária indicado que “é a mais natural em termos de reconhecimento pelo nosso organismo”.


Com a evolução dos sistemas de administração da hormona, “os doentes podem agora adaptar-se mais facilmente ao tratamento, levar uma vida normal, com mais liberdade e fazendo desporto”, o que terá contribuído para a “diminuição da discriminação de que eram alvo no passado”.


Ana Paula Martins frisou que, “numa época dominada pela covid-19, é preciso voltar a olhar para doenças como a diabetes e é necessário criar um registo nacional de doentes com diabetes tipo 1”.


Contexto Covid-19 atrasa diagnósticos

Neste contexto, a investigadora defendeu que, “mais do que a dificuldade de acesso aos cuidados de saúde”, a pandemia “pode ter provocado um descontrolo nos níveis de glicemia porque as pessoas ficaram mais fechadas e monitorizaram menos”.

“Houve ainda um atraso no acesso nos diagnósticos, que me preocupa porque estes cidadãos vão perder muita qualidade de vida. Não é aceitável e temos de investir na prevenção e diagnóstico”, defendeu.

Segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal era em 2019 um dos dois países da União Europeia com maior taxa de prevalência de diabetes entre adultos dado que 9,8% dos portugueses entre os 20 e os 79 anos sofriam desta doença crónica.

A diabetes, se não for diagnosticada ou devidamente controlada, pode resultar em complicações mais graves como cegueira, insuficiência renal ou amputação de membros inferiores.

A doença, que se traduz na incapacidade de o organismo regular os níveis excessivos de açúcar no sangue, porque o pâncreas não consegue produzir insulina, aumenta o risco de doenças cardiovasculares e da infeção respiratória covid-19.
Os diabéticos do tipo 1 precisam de tomar insulina, enquanto os diabéticos do tipo 2 necessitam de medicação de controlo, dieta alimentar e exercício físico adequados, precisando de insulina se apresentarem sintomas ou glicemias elevadas ou mal controladas.

Cem anos de vida a dar vida a milhões de pessoas com diabetes

Descoberta por Frederick Banting e Charles Best a 27 de julho de 1921, a insulina começou a ser administrada em animais, tendo sido ministrada com sucesso em humanos em janeiro de 1922.


Os dois cientistas receberam o Prémio Nobel da Medicina em 1923.

Se tiver curiosidade em saber um pouco mais sobre o assunto visite a exposição 100 anos Descoberta da insulina