História da progressão dos fatores de risco nos exames de saúde permite prevenção de doença cardiovascular mais precoce

História da progressão dos fatores de risco nos exames de saúde permite prevenção de doença cardiovascular mais precoce

As guidelines atuais da American Heart Association, da European Society of Cardiology e do UK National Health Service recomendam exames de saúde a cada cinco anos para o rastreio de indivíduos com alto risco de doença cardiovascular.

Os exames devem incluir a avaliação dos principais fatores de risco, como pressão arterial sistólica, perfil de colesterol, glicemia e tabagismo. Se as modificações no estilo de vida não forem suficientes para a redução dos fatores de risco, as guidelines de prevenção recomendam a instituição de terapêuticas farmacológicas preventivas, como estatinas. No entanto, as guidelines atuais aconselham o uso apenas da avaliação mais recente do risco cardiovascular e não incluem dados da história clinica do indivíduo. Atualmente, os residentes do Reino Unido podem determinar seu risco individual de doença cardiovascular com a calculadora QRISK3 que inclui perguntas sobre idade, sexo, tabagismo, colesterol total, colesterol HDL, pressão arterial sistólica, medicação anti-hipertensiva, diabetes e várias condições médicas.


A progressão acelerada do risco deve ser identificada nos exames de saúde. De acordo com um estudo finlandês-inglês publicado no Lancet Digital Health, os indivíduos cujos níveis de risco progridem aceleradamente para a respetiva idade devem ser identificados e informados sobre as possíveis intervenções preventivas. Se o início das intervenções preventivas for adiado, estes indivíduos podem perder dois a seis anos de vida livres de doença cardiovascular, dependendo da taxa de progressão do risco.


“Este estudo mostra que o histórico de risco individual pode fornecer informações importantes para os cuidados de saúde primários rastrearem melhor os indivíduos com alto risco de doenças cardiovasculares. Da mesma forma, as informações permitem identificar os indivíduos que conseguem reduzir seus níveis de risco entre o exame de saúde e, portanto, estão em menor risco de doenças cardiovasculares. No Reino Unido, cerca de 160.000 indivíduos morrem de doenças cardiovasculares por ano e estima-se que 80% delas seriam evitáveis com intervenções atempadas, o que indica que estratégias de deteção risco elevado/muito elevado e prevenção da progressão podem ter grande impacto, afirmou o autor principal, Prof. Doutor Joni Lindbohm, da Universidade College Londres e Universidade de Helsinkia.


O estudo foi baseado na coorte de Whitehall II de 7.000 adultos britânicos. Seguindo as guidelines atuais, os níveis de risco foram avaliados a cada cinco anos ao longo de de 22 anos. Os participantes foram seguidos com registos eletrónicos de saúde do NHS, incluindo registos de eventos de doenças cardiovasculares. Os investigadores descobriram que a progressão acelerada do risco foi mais deletéria entre os participantes mais jovens, com idade entre 40 e 50. Porém, observou-se também que os benefícios da redução do risco foram mais significativos neste grupo etário. Com base nestes resultados, os investigadores desenvolveram uma ferramenta online, ainda em fase experimental, que pode ser usada para estudar como o histórico de risco modifica o risco estimado de doenças cardiovasculares. “Esses resultados são promissores, mas insuficientes para alterar as nacionais. Os benefícios do uso de informações adicionais sobre o histórico de risco em exames de saúde devem ser mais avaliados em ensaios clínicos randomizados e controlados”, enfatiza o professor Mika Kivimäki, da University College London, diretor do estudo Whitehall II e um dos autores do estudo.