Tecido do cordão umbilical promissor no tratamento da diabetes mellitus tipo 2

A revista científica Cell and Tissue Research publicou recentemente o artigo “Human umbilical cord mesenchymal stem cells in type 2 diabetes mellitus: the emerging therapeutic approach”, onde foram apresentados os principais benefícios terapêuticos das células mesenquimais do tecido do cordão umbilical no tratamento e controlo da diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) e comorbidades associadas.

A revista científica Cell and Tissue Research publicou recentemente o artigo “Human umbilical cord mesenchymal stem cells in type 2 diabetes mellitus: the emerging therapeutic approach”, onde foram apresentados os principais benefícios terapêuticos das células mesenquimais do tecido do cordão umbilical no tratamento e controlo da diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) e comorbidades associadas. Publicado no final de maio, o artigo contou com a participação de Andreia Gomes, Diretora Técnica e de Investigação e Desenvolvimento (I&D) do laboratório português de criopreservação BebéVida.

Centrado nos últimos ensaios e aplicações das células estaminais mesenquimais (CEM) humanas do cordão umbilical no tratamento e controlo da diabetes tipo 2, o artigo explica que o tecido do cordão umbilical tem provado ser uma fonte fiável, útil e de fácil acesso de CEM devido às suas propriedades originais, imunomodulatórias, não imunogénicas, secretórias, migratórias, proliferativas e multipotentes – características que tem atraído um grande interesse por parte da investigação nas áreas de medicina regenerativa e terapia celular.

Tanto o transplante alogénico e autólogo de CEM de cordão umbilical humano, como os fatores libertados pelas CEM, demonstraram, em vários ensaios, combater os efeitos prejudiciais da hiperglicemia e progressão da DMT2 através da atenuação da inflamação crónica e disfunção das células β pancreáticas. Para além disso, as CEM também apresentam capacidade de modular de forma benéfica as comorbidades associadas à DMT2 apresentando efeitos nefro-, neuro e retino-protetores, melhorando significativamente a recuperação funcional do tecido muscular cardíaco isquémico e também através de efeitos significativos na melhoria da função imunológica geral. Além disso, as CEM do cordão umbilical revelaram-se promissoras na aceleração da cicatrização de feridas diabéticas pelo incremento do processo angiogénico, favorecendo a reparação de tecido e neovascularização.

As comorbilidades e a taxa de mortalidade fazem da DMT2 uma doença grave, frequente, dispendiosa, representando um grande fardo para a sustentabilidade do sistema de saúde e, simultaneamente, um importante desafio de saúde pública para as sociedades modernas. Os tratamentos disponíveis ainda dependem muito de combinações de agentes antidiabéticos orais com ajustes no estilo de vida e nutrição. Apesar do contínuo desenvolvimento de novos e melhores fármacos hipoglicémicos, a sua eficácia é limitada no que toca ao aparecimento e progressão de complicações silenciosas da doença.