Cuidados Paliativos: “Curar algumas vezes, aliviar com frequência, confortar sempre”

No dia de hoje relembramos o editorial da Dignus n.º6, que teve como tema central do Dossier os “Cuidados Paliativos”.

No dia de hoje relembramos o editorial da Dignus n.º6, que teve como tema central do Dossier os “Cuidados Paliativos”.

Redigido pela Drª Cláudia Guedes, é este artigo que abre uma edição repleta de artigos técnicos elaborados por especialistas em Cuidados Paliativos.

“Caríssimo leitor,

A vulnerabilidade, integridade e dignidade do ser humano na fase final da vida contempla-se com a dificuldade em incorporar a morte no horizonte da própria vida.

Ter que (sobre)viver com uma doença em situação clínica grave, terminal e irremediável, provavelmente em sofrimento desmedido, e, que precede um fim de vida próximo, é complexo tanto para o doente como para os seus próximos. A espera de uma não-cura é penosa e antecipadora de um luto em vida.

Engrandecer a qualidade de vida, diminuindo o afastamento entre os anseios e aquilo que é possível alcançar no tempo que ainda resta ao doente, mesmo que isso envolva sofrimento contínuo, é uma decisão árdua, em que a família é acareada para uma tomada de decisão. A abordagem é holística, devidamente personalizada e pode ser acedida em diferentes contextos, incluindo o domicílio do doente, não existindo fronteiras temporais.

Há uma escuta ativa e empática possibilitando o conhecimento das expetativas, medos e preocupações do paciente e dos seus próximos. As vivências decorrentes da ação paliativa, vinculadas às experiências emocionais anteriores, agregam-se a sentimentos com uma nova ressignificação. Aprende-se que pode haver um limite para a cura mas nunca para o desvelo, tal como Cicely Sauders dizia “ainda há muito a fazer”, uma frase de encorajamento perante as recorrentes expressões de negação e de derrota de doentes e familiares. 

Não se cura a doença, mas tenta-se curar a pessoa para que possa partir de forma serena e plácida, arrostando a morte e encarando-a com naturalidade, respeitando os valores e crenças individuais para que o ciclo vital se complete nobremente.

Podemos considerar os cuidados paliativos o momento sinóptico no qual se conhece o valor crítico do caminho percorrido face às expetativas da esperança de vida, após um diagnóstico sem revés.Este número com um dossier dedicado aos Cuidados Paliativos, pretende uma circunspeção sobre a prevenção do sofrimento, a promoção da dignidade e qualidade de vida do doente, o desgaste físico e emocional do cuidador e do profissional de saúde associado ao diagnóstico de uma doença incurável e à aferição de um fim. Reflitamos com a DIGNUS…”

Bibliografia
– https://ics.lisboa.ucp.pt/sobre-overview/observatorio-portugues-dos-cuidados-paliativos
– www.stchristophers.org.uk