Proteína pode desbloquear imunoterapia contra o cancro

Uma proteína que ajuda os tumores a escaparem ao sistema imunológico e, em certos tipos de cancro, está associada a uma menor probabilidade de sobrevivência, foi identificada por um grupo de investigadores liderados pelo português Caetano Reis e Sousa, num estudo do Instituto Francis Crick em Londres e publicado na revista Cell.

Uma proteína que ajuda os tumores a escaparem ao sistema imunológico e, em certos tipos de cancro, está associada a uma menor probabilidade de sobrevivência, foi identificada por um grupo de investigadores liderados pelo português Caetano Reis e Sousa, num estudo do Instituto Francis Crick em Londres e publicado na revista Cell. Este estudo identifica uma proteína que está presente no plasma sanguíneo e também é expelida por células cancerosas, a “gelsolina segregada“, que interfere na resposta do sistema imunológico, bloqueando um recetor dentro das células dendríticas.

Uma parte crucial da resposta do sistema imunológico ao cancro é um grupo de células brancas do sangue, chamadas células T CD8 +, que matam as células tumorais. Antes de lançar a sua resposta antitumoral, essas células devem ser informadas sobre quem devem atacar por outra célula do sistema imunológico, chamada célula dendrítica. Sem nenhuma instrução transmitida às células T, os tumores conseguem evitar a resposta do sistema imunológico. Este mecanismo era até agora desconhecido e abre novos caminhos para o desenvolvimento de medicamentos que aumentem o número de pacientes com diferentes tipos de cancro a beneficiar de imunoterapias.

A equipa analisou dados clínicos e amostras de pacientes com 10 tipos diferentes de cancro e descobriu que indivíduos com cancro de fígado, cabeça e pescoço e estômago, que têm níveis mais baixos dessa proteína nos seus tumores, tinham maiores probabilidades de sobrevivência. “A interação entre as células tumorais, o ambiente envolvente e o sistema imunológico é um quadro complexo. E embora as imunoterapias tenham revolucionado a forma como certos tipos de cancro são tratados, ainda há muito a perceber sobre quem tem maior probabilidade de beneficiar”, disse Caetano Reis e Sousa.