cancro gastrico

Mecanismo molecular que impede cura de doentes com cancro gástrico

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificaram um mecanismo molecular que explica a resistência de alguns doentes com cancro gástrico ao medicamento usado na terapia.

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificaram um mecanismo molecular que explica a resistência de alguns doentes com cancro gástrico ao medicamento usado na terapia. O Instituto da Universidade do Porto explica que o estudo, publicado na revista científica Oncogene, representa “um importante passo no tratamento personalizado” dos doentes com cancro gástrico.

O estudo focou-se na resistência ao trastuzumab, um “dos poucos agentes de terapia personalizada” aprovado para o tratamento de doentes com cancro do estômago em estádio avançado e com metástases (estádio IV) e positivo para o recetor oncogénico HER2 (que representa cerca de 10 a 15% dos casos de cancro gástrico). O medicamento liga-se ao recetor HER2 e consegue “bloqueá-lo, acabando por provocar a morte das células tumorais”. Mas a maioria dos doentes desenvolve logo, ou num período curto de tempo, uma resistência molecular ao trastuzumab.

No estudo, os investigadores caraterizaram a estrutura dos glicanos ligadas ao recetor HER2 em células tumorais do estômago, tendo confirmado a presença de algumas destas estruturas em amostras clínicas dos pacientes. E perceberam que a modificação do recetor HER2 com determinados tipos de glicanos ocorre na ligação do HER2 ao anticorpo terapêutico trastuzumab. E através de modelos de carcinoma gástrico positivo para o recetor HER2, perceberam o mecanismo molecular através do qual estas cadeias de açúcares conferem resistência ao trastuzumab.

Esta investigação contribuirá para o estabelecimento de novos biomarcadores preditivos de resposta à terapia anti-HER2 e para uma melhor estratificação dos pacientes elegíveis para este esquema terapêutico.

O estudo, liderado por Celso Reis e Joana Gomes, contou também com a colaboração de equipas do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e da Universidade de Leiden, na Holanda.