unidade cuidados conttinuados

Cuidados paliativos para doentes com insuficiência cardíaca

Geralmente as unidades de Cuidados Paliativos ou as equipas intra-hospitalares de Suporte em Cuidados Paliativos desenvolvem uma abordagem genérica dirigida a múltiplas patologias. A Unidade Mais Sentido – Hospital de Dia de Cuidados Paliativos de Insuficiência Cardíaca Avançada do Hospital Pulido Valente (CHULN) – pretende romper com esta tradição e criar um novo conceito assistencial.

Geralmente as unidades de Cuidados Paliativos ou as equipas intra-hospitalares de Suporte em Cuidados Paliativos desenvolvem uma abordagem genérica dirigida a múltiplas patologias. A Unidade Mais Sentido – Hospital de Dia de Cuidados Paliativos de Insuficiência Cardíaca Avançada do Hospital Pulido Valente (CHULN) – pretende romper com esta tradição e criar um novo conceito assistencial.

Na Unidade Mais Sentido, os cuidados paliativos são uma resposta a uma necessidade que vai além do sofrimento físico, abarcando o sofrimento holístico de dor total. A verdade é que além do sofrimento físico associado à dispneia, ao edema ou à dor, os doentes com IC crónica sofrem em vários domínios desde o psicológico ao ambiental e social.

Para Luís Parente Martins, cardiologista e coordenador e mentor da unidade, a diferença está no tipo de assistência e quando a mesma é feita porque “tipicamente, os cuidados paliativos são requeridos já numa fase terminal da doença para apenas tratar sintomas, para que o sofrimento dos doentes seja o mais reduzido possível”. E continua a dizer que como a evolução da doença é caraterizada como “descendente ondulante, ao contrário da patologia oncológica, que tem como prognóstico um trajeto descendente, abre a possibilidade de se corrigir ou controlar a causa e tratar a descompensação dos doentes”. E esta abordagem contribui para a promoção de uma esperança que é, de facto, real porque o prognóstico significa melhorias e quebras. Alerta que é muito importante tratar os doentes o mais cedo possível porque assim conseguem-lhes garantir “mais qualidade de vida”.

Antigamente, quando um doente sofria um enfarte havia uma forte probabilidade de mortalidade, mas atualmente há uma sobrevivência maior chegando até ao patamar da insuficiência cardíaca. Mas independentemente das melhores terapêuticas, estes doentes precisam de um acompanhamento quase permanente ao nível dos cuidados paliativos. Luís Parente Martins adiante que todos os elementos naquela unidade se enquadram na filosofia dos cuidados paliativos modernos, fundados por Cicely Saunders: é fundamental que os doentes morram em paz e que até lá vivam da melhor forma possível. Os relógios daquela unidade estão distribuídos pelas paredes, com vários tamanhos e feitios, e lembram a “importância de viver cada momento e dar sentido a cada minuto, com base numa esperança realista”. E há um pormenor importante: todos os relógios marcam uma hora diferente para enfatizar que cada doente tem o seu tempo e vive a doença de uma forma e a um ritmo diferente.