cuidador informal

Cuidadores informais desconhecem direitos legais

O estudo do Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, que representa 24 associações, ouviu 1133 pessoas nesta condição e mostra que quase 60% dos inquiridos não conhecem o Estatuto do Cuidador Informal (ECI), legalmente em vigor a partir de 01 de abril de 2020.

O estudo do Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, que representa 24 associações, ouviu 1133 pessoas nesta condição e mostra que quase 60% dos inquiridos não conhecem o Estatuto do Cuidador Informal (ECI), legalmente em vigor a partir de 01 de abril de 2020.

Dos cerca de 40% de cuidadores que declararam conhecer o estatuto, 77,2% consideram-no incompleto, vendo-o como “pouco abrangente”, com acesso “muito burocrático e limitado” e insuficiente nos apoios face às necessidades. A falta de apoio psicológico e emocional é a principal falha ou dificuldade apontada pelos cuidadores (64,6%), seguindo-se a falta de apoios sociais do Estado, de instituições ou decorrentes do próprio ECI (59,1%). Cerca de metade (51,8%) referem dificuldades financeiras e 37,4% apontam falta de apoio de recursos humanos na prestação de cuidados. Cerca de 81% dizem não ter acesso a serviços e apoios suficientes e quase metade dos inquiridos indicou que o auxílio na prestação de cuidados seria a ajuda que maior diferença faria na sua situação (46,9%). Um total de 74,4% dos cuidadores manifestaram ainda interesse em ter apoio de voluntários especializados na prestação de cuidados. Mais de 63% dizem ter informação necessária sobre a doença da pessoa cuidada, mas 41,2% admitem necessidade de mais formação e capacitação específica para as tarefas que desempenham, sobretudo no que diz respeito ao tratamento e manuseamento dos doentes.

Numa escala de 0 a 10, de nenhum desgaste a desgaste extremo, o desgaste físico aparece retratado com o valor de 7,96, enquanto o desgaste emocional regista 8,44 nessa mesma escala entre os inquiridos. Mais de metade dos cuidadores (56,4%) diz não ter tempo pessoal nem espaço para rotinas e outros papéis sociais e mais de 90% afirmam a vontade de voltar a ter tempo para os hábitos e rotinas anteriores à condição de cuidador. Apenas cerca de 12% dizem receber qualquer tipo de apoio emocional ou psicológico para o desempenho das funções.

Em família relata-se uma diminuição de tempo para estar em conjunto, de reorganização de rotinas ou ausência de férias, fins de semana, vida social e convívio familiar ou com amigos. Em menor número há também referência a perda de rendimentos e até mesmo divórcios. Quase metade dos inquiridos viu-se forçada a deixar o emprego para assumir a tarefa de cuidador, uma situação que já era prevalente antes da pandemia de covid-19, mas que veio agravar. Mais de 87% dos inquiridos dizem não ter descanso nem férias por não terem uma resposta social de proximidade que o permita, assegurando os cuidados do doente.

Segundo o estudo, os cuidadores são maioritariamente mulheres (86,6%), entre os 45 e os 64 anos, com o ensino secundário ou o ensino superior, em situação laboral ativa. Os cuidadores informais cuidam maioritariamente de familiares diretos — pais, filhos, avós, cônjuges — mas quase 10% assume a tarefa perante pessoas em relação às quais não existe grau de parentesco.