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Teste genético português analisa genes para construir plano de vida saudável

Investigadores portugueses desenvolveram um teste que analisa mais de 70 genes para perceber como a genética influencia a composição corporal e a reação a alguns nutrientes, ajudando a personalizar a estratégia para uma vida mais saudável.

Investigadores portugueses desenvolveram um teste que analisa mais de 70 genes para perceber como a genética influencia a composição corporal e a reação a alguns nutrientes, ajudando a personalizar a estratégia para uma vida mais saudável. Reconhecendo que há estratégias de perda de peso que podem funcionar genericamente para todos, como a restrição da ingestão calórica e o exercício físico, com este teste, que se faz apenas uma vez na vida, se consegue definir exatamente qual o plano que funciona melhor para determinado perfil genético.

O investigador Daniel Luís, que criou o teste, explicou que, através da saliva, se consegue analisar mais de uma centena de marcadores genéticos que ajudam a perceber se a pessoa tem mais tendência para ganhar peso e como reage à ingestão de alguns nutrientes, permitindo ainda perceber qual a reação à cafeína e às restrições de sono. “O teste que o faz é a análise de marcadores genéticos [75 genes e 102 marcadores genéticos] para que a pessoa consiga ter mais informação acerca de si própria. Permite, por exemplo, perceber como é que a genética influencia a composição corporal, como é que reage a dietas, ao exercício físico e à ingestão de vários nutrientes”, como os hidratos de carbono, gorduras ou fibras, disse.

Assim, o teste ajuda a perceber “que alterações é que a pessoa pode fazer na dieta de forma a promover a saúde e um peso saudável”, acrescentou. O teste permite também perceber se a pessoa tem uma sensibilidade maior ou menor restrições de sono, o que tem impacto a nível metabólico. A nutricionista e investigadora Conceição Calhau, coordenadora da licenciatura em Ciências da Nutrição na NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, explicou a importância de perceber se a pessoa é “coruja” ou “cotovia”. “Com este tipo de testes conseguimos identificar cronotipos, ou seja, quem é mais cotovia ou mais coruja, quem tem a sua atividade mais cedo ou mais tarde no dia e isso pode ser importante em termos de intervenção alimentar por causa das horas das refeições”, explicou.

Daniel Luis lembrou também que, com uma simples recolha de células do interior da bochecha, feita com uma espécie de cotonete, é possível perceber se as pessoas metabolizam a cafeína mais rapidamente ou mais lentamente, o que tem um efeito na ansiedade. A equipa desenvolveu ainda uma aplicação com a qual, a partir de um telemóvel, a pessoa pode ter acesso aos seus dados e a uma lista de alimentos passível de ser consultada, por exemplo, quando se vai às compras, para escolher com mais facilidade os alimentos mais ajustados ao seu perfil e que podem trazer mais benefícios.