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Pandemia é uma oportunidade para replanear cuidados nos lares

Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) concluíram, num estudo que envolveu 784 profissionais, 80% dos quais pertencentes a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), que a pandemia é uma “oportunidade única” para redefinir prioridades e replanear os cuidados prestados aos que residem em lares.

Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) concluíram, num estudo que envolveu 784 profissionais, 80% dos quais pertencentes a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), que a pandemia é uma “oportunidade única” para redefinir prioridades e replanear os cuidados prestados aos que residem em lares. Este estudo, desenvolvido por investigadores da Universidade do Porto, de Aveiro e da Beira Interior, visava analisar a perspetiva dos profissionais das estruturas residenciais destinadas a idosos sobre o impacto da pandemia nos cuidados e as suas experiências de trabalho durante e após o primeiro confinamento. Os investigadores afirmam que os resultados do inquérito provam que a pandemia da covid-19 teve “consequências negativas em quem vive e trabalha” nestas instituições, expondo “vulnerabilidades” já existentes em termos de recursos humanos, físicos e psicossociais.

No estudo, mais de metade dos participantes admitiu uma “maior dificuldade em responder às necessidades básicas dos idosos, como higiene e alimentação, e em proporcionar-lhes atividades de ocupação, no respeito pelos seus direitos e pela sua autodeterminação”. “A pandemia legitimou um modelo de cuidados tradicional assistencialista, assente em procedimentos padronizados, que interpreta as pessoas idosas como um grupo homogéneo, recetor de cuidados passivos e que promove o paternalismo”, acrescentam os investigadores.

Os profissionais queixaram-se ainda do “impacto nas suas condições de trabalho”, com mais horas prestadas por turno, sendo que cerca de 15% dos participantes afirmaram ter residido nas instituições temporariamente para protegerem os utentes. A sobrecarga de trabalho constitui “um risco não só para a saúde, segurança e bem-estar dos próprios profissionais, mas também para a prestação de cuidados”.

Por isso, os investigadores defendem que os lares e estruturas residenciais para idosos devem “reivindicar um maior investimento, político e financeiro, em recursos humanos, equipamentos, acompanhamento e intervenções”, considerando a crise pandémica uma oportunidade única para implementar Cuidados Centrados na Pessoa. Neste modelo, os idosos são colocados no centro da dinâmica de cuidados, tendo um papel decisor ativo sobre a sua vida e o seu quotidiano”, referem, acrescentando ser também “urgente iniciar, retomar e intensificarprogramas de reabilitação e ocupações com os idosos.