acompanhar idoso

Combater o isolamento em Lagos

O projeto Lar no Lar pretende combater a solidão e isolamento social na população idosa através de um programa de coabitação intergeracional com inquilinos mais jovens.

O projeto Lar no Lar pretende combater a solidão e isolamento social na população idosa através de um programa de coabitação intergeracional com inquilinos mais jovens. Embora não seja original, o projeto Lar no Lar assume como uma pedra no charco no panorama algarvio e só tem dois congéneres em Lisboa e no Porto.

A iniciativa surge através de Joyce Craveiro, que há uns anos adotou Lagos e aí fundou a Associação Guardiões D’inverno, com a ideia de iniciar em Lagos, expandir-se pelo Algarve e depois a nível nacional. Joyce Craveiro considera que a filosofia do projeto não é prolongar a vida das pessoas, mas sim prolongar a vida com qualidade. E a promotora do projeto dá um exemplo de uma vida com qualidade: imaginemos “uma pessoa de certa idade, independente e autónoma, que conduz, que faz uma série de coisas, mas não tem familiares, ou até pode ter. Um dia, parte um pulso e vai ter uma recuperação difícil e morosa e, enquanto está a recuperar, deixa de poder conduzir, carregar compras, cozinhar, cuidar de si. Perde a autonomia, o que leva à degradação rápida da vida, porque fica deprimida, sente-se incapaz, isola-se e aparecem problemas mentais”.

Este projeto terá a preocupação de tentar compatibilizar os interesses e disponibilidades das partes interessadas: “Iremos criar um perfil do idoso e do potencial coabitante que necessita. Porque não vou colocar uma pessoa extremamente religiosa com um ateu; uma pessoa que necessita de ajuda na cozinha com alguém que deteste cozinhar; alguém que tenha animais de estimação em casa com quem sofra de alergias. Há um trabalho prévio para encontrar as melhores correspondências.”

Os potenciais companheiros para os idosos podem ser “qualquer adulto responsável que possa ceder 8 a 10 horas semanais de companhia e ajuda à pessoa idosa. Os candidatos deverão apresentar um registo criminal e três contactos para referências. Depois, a Lar no Lar irá rever essas referências, que não deverão ser familiares”. Os estudantes universitários são bons candidatos e, por isso já foram estabelecidos contactos com a Universidade do Algarve, pois este seria um meio para os alunos terem alojamento a um baixo custo. O projeto poderá ser ainda bom “para imigrantes, ajudando-os a integrarem-se melhor de forma mais célere na sociedade portuguesa. Ou professores, que são frequentemente colocados longe do seu local de residência. Imagine, no futuro, vítimas de violência doméstica, que possam ir para outro local onde ninguém as conhece e possam estar num seio familiar. O que pretendo com isto é quebrar barreiras culturais e geracionais.” E também ligar os idosos à aplicação OneCare AAL, uma aplicação desenvolvida para a Smart Monitoring, em que os alunos da Universidade de Coimbra participaram e que, através de um tablet, permite medir certas funções e capacidades na pessoa idosa e ajudar a avaliar o impacto do projeto.