Pessoas com demência têm maior risco de contrair Covid19

Pessoas com demência têm maior risco de contrair Covid19

uma correlação entre as pessoas portadoras de um genótipo que predispõe para a doença de Alzheimer e o risco de contrair e ser internado por causa da Covid19.

À medida que surgem novos estudos é cada vez mais reforçada a noção de que indivíduos com demência são um grupo mais vulnerável à Covid19. No verão de 2020, cientistas da Universidade de Exeter, em Inglaterra, e da Universidade de Connecticut, nos EUA, verificaram uma correlação entre as pessoas portadoras de um genótipo que predispõe para a doença de Alzheimer e o risco de contrair e ser internado por causa da Covid19. E um novo estudo, baseado em 61,9 milhões de registos médicos dos EUA, também verificou que as pessoas que sofrem de demência, sobretudo afro-americanos, têm uma maior probabilidade de contrair Covid-19. Portugal deve estar particularmente atento a este problema sobretudo porque segundo o mais recente relatório da Alzheimer Europe, o número de pessoas com demência em Portugal está a crescer progressivamente, sendo previsto que, em 2050, seja mais do dobro do que atualmente: de 193 516 em 2018 (1,88% da população) para 346 905 em 2050 (3,82% da população), valores que ultrapassam a tendência europeia.

O estudo, publicado no jornal Alzheimer’s & Dementia, verificou que, de um total de 15 770 pessoas com Covid-19 nos seus registos, 810 sofriam de demência. Quando compararam os dados demográficos de todos estes pacientes – idade, género e etnia – concluíram que as pessoas com demência tinham o triplo do risco de contrair Covid-19. Depois de ajustarem as suas análises para situações de risco do vírus, como residência em lares de idosos e condições físicas como obesidade e problemas cardiovasculares, os números baixaram, mas mantiveram uma alta discrepância: com este ajuste, as pessoas com demência tinham o dobro da probabilidade de ficar infetadas. Quanto ao risco de hospitalização, os investigadores concluíram que pessoas com demência tinham um risco 2,6 vezes superior ao das restantes pessoas e, por sua vez, apresentavam um risco 4,4 vezes maior de morrer. 

As pessoas que sofrem de demência são mais dependentes dos outros para assegurar a sua segurança, para se lembrar de usar máscara, para manter uma distância social das pessoas”, explicou a médica Kenneth Langa ao New York Times. “Há uma deficiência cognitiva e estas pessoas estão em maior risco por isso.” Rong Xu, uma das co-autoras do estudo alerta que é prioritário apoiar estas populações mais vulneráveis à Covid-19.