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Reforçar e adaptar formações no digital para os mais idosos

A transição digital poderá afetar a população que menos usa Internet, os idosos, e para que isso não aconteça é necessário reforçar e adaptar as formações a um grupo que não é nada homogéneo em termos de conhecimentos.

A transição digital poderá afetar a população que menos usa Internet, os idosos, e para que isso não aconteça é necessário reforçar e adaptar as formações a um grupo que não é nada homogéneo em termos de conhecimentos. Segundo Ana Rita Coelho, investigadora do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e com um doutoramento sobre a inclusão digital da população sénior, “este será o momento certo, porque face ao contexto da pandemia, existe, de facto, uma necessidade, uma motivação” para aprender a utilizar a internet por parte dos idosos.

Ana Rita Coelho recorda que os dois motivos principais por parte desta população para não utilizar a internet são a falta de competências – o não saber usar – e o “não ver uma utilidade”. Com a pandemia, este último motivo desaparece para muitos porque o digital permite o contacto à distância com familiares, consultas de telemedicina e outras questões práticas. Neste contexto há muito a fazer nas formações sobre iliteracia digital.

No seu doutoramento, a investigadora alertava para a necessidade de olhar para esta faixa etária não como um todo uniforme, mas como um grupo muito heterogéneo e com diferentes modos de relação com as tecnologias de informação e comunicação (TIC) e que entraram em contacto com o digital em diferentes momentos da sua vida.

Face a essa heterogeneidade, Ana Rita Coelho diz que tem de haver um esforço para uma “despadronização” da formação, para tornar as aprendizagens menos formais, mais flexíveis às necessidades de cada um e capazes de ocorrerem também noutros contextos onde ainda não ocorrem, como nos centros de dia ou no apoio domiciliário.

A flexibilização das ações seria também importante para garantir que o combate à iliteracia digital não se fica por uma formação inicial, mas que garanta percursos de progressão, defende. “Está a ser feito um bom trabalho, nomeadamente nas universidades seniores, mas ainda existe aqui alguma esteriotipização das atividades atribuídas à população idosa. É preciso responder às pessoas que têm menos competências, mas também dar respostas às outras que já estão noutro nível”, refere.