Varizes pélvicas

Varizes pélvicas: tudo o que precisa de saber explicado por um médico

As varizes pélvicas são veias dilatadas que surgem principalmente na mulher, afetando o útero, mas que também podem afetar as trompas de falópio ou os ovários. Um artigo do Professor Doutor Tiago Bilhim, radiologista de intervenção.

As varizes pélvicas são veias dilatadas que surgem principalmente na mulher, afetando o útero, mas que também podem afetar as trompas de falópio ou os ovários. Um artigo do Professor Doutor Tiago Bilhim, radiologista de intervenção.

O que são as varizes pélvicas?

As varizes pélvicas são veias dilatadas que surgem principalmente na mulher, afetando o útero, mas que também podem afetar as trompas de falópio ou os ovários.

As varizes pélvicas não têm cura, mas os sintomas, se existirem, podem ser controlados com medicamentos, ou com a embolização.

Quais as causas das varizes pélvicas?

As varizes pélvicas são frequentemente secundárias à dilatação e refluxo da veia ovárica esquerda.  As varizes na região pélvica podem surgir apenas por fatores genéticos, no entanto, são mais comuns após a gravidez, pois o corpo precisa dilatar as veias nessa região para transportar todo o sangue necessário para a gestação. Além disso, as hormonas produzidas durante a gravidez também dilatam todas as veias do corpo da mulher. As válvulas no interior das veias pélvicas deixam de funcionar e o sangue venoso acumula-se nas veias da pélvis, levando a estase e ectasia ou aumento do tamanho das veias da pélvis ou seja – varizes. As causas da síndrome de congestão pélvica são multifatoriais. Pode resultar de anomalias anatómicas obstrutivas, patologias que originem congestão venosa secundária, fatores hereditários, hormonais, cirurgias pélvicas, antecedentes de varizes ou multiparidade. A ausência de válvulas de veia ovárica, 15% à esquerda e 6% à direita, pode explicar a maior frequência das varizes pélvicas na dependência da veia ovárica esquerda em relação à direita, onde é rara.

Quais são as queixas associadas às varizes pélvicas?

As varizes pélvicas normalmente não causam nenhum tipo de sintoma, no entanto, algumas mulheres podem apresentar:

  • Varizes visíveis na região da vagina, coxas ou na região glútea;
  • Dor abdominal;
  • Dor durante o contacto íntimo;
  • Sensação de peso na região íntima;
  • Incontinência urinária;
  • Aumento da menstruação.

Os sintomas podem melhorar quando a mulher está sentada ou deitada, pois o sangue tem mais facilidade para voltar ao coração, no entanto, várias mulheres referem uma dor que está sempre presente. Normalmente, o ginecologista faz o diagnóstico das varizes pélvicas através de exames como ecografia com doppler, tomografia abdominal ou pélvica e ressonância manética, por exemplo.

Como posso fazer o diagnóstico?

O diagnóstico de síndrome de congestão venosa pélvica não é fácil. Observa-se geralmente em mulheres de meia-idade, multíparas, com dor pélvica crónica, exacerbada pelos esforços e posição ortostática, por vezes associada a dor durante o ato sexual (dispareunia) ou durante a menstruação (dismenorreia), urgência na micção, sensação de peso no região pélvica e períneo. Não existem sinais patognomónicos ou típicos de síndrome de congestão venosa pélvica e de varizes pélvicas, mas em alguns casos apresentam-se como varizes vaginais ou vulvares ou como recidiva de varizes dos membros inferiores depois da cirurgia.

Tenho dores pélvicas crónicas: porque é que ninguém me falou da embolização?

A síndrome de congestão venosa pélvica é um desafio diagnóstico e uma entidade desconhecida de muitos médicos. A dor pélvica crónica, não cíclica e com uma duração de pelo menos 6 meses é a principal manifestação clínica das varizes pélvicas. Contudo é um sintoma muito frequente mas inespecífico, com muitas causas possíveis, entre elas as varizes pélvicas. A dor pélvica crónica motiva 10-40% das consultas de ginecologia. Uma das causas mais comuns da dor pélvica crónica é o síndrome de congestão pélvica, descrito por Richet em 1857 e que corresponde a varizes pélvicas secundárias ao fluxo retrógrado (refluxo) nas veias ováricas com válvulas incompetentes.

As varizes pélvicas são perigosas?

As varizes pélvicas normalmente não são perigosas, no entanto, existe um risco muito reduzido de formação de coágulos no interior dessas veias, que podem ser transportados até ao pulmão e causar uma embolia pulmonar, uma situação bastante grave que deve ser tratada o mais rápido possível no hospital.

Quando devo fazer o tratamento por embolização?

O tratamento para varizes pélvicas normalmente é feito quando surge algum tipo de sintoma e é iniciado com uso de medicamentos, que ajudam a diminuir a dilatação das veias. Além disso, se os sintomas não melhorarem com a medicação ou se forem muito intensos, então a possibilidade de fazer uma embolização das veias pélvicas deve ser considerada. A embolização é um procedimento que consiste em inserir um cateter muito fino pela veia até ao local das varizes, onde, depois, é libertada uma substância que diminui as varizes e aumenta a força da parede das veias.

A embolização das varizes pélvicas / síndrome de congestão venosa pélvica é segura e eficaz?

A embolização das varizes pélvicas no tratamento da síndrome de congestão venosa pélvica é muito segura, sem complicações associadas e com excelentes taxas de sucesso clínico. As taxas de sucesso clínico variam entre 96.7%-98%, com remissão completa dos  sintomas entre 57.9% e 58.5% das doentes e parcial em mais de 90% da doentes. A dor pélvica crónica sem evidência de qualquer patologia é um problema ginecológico comum. A inespecificidade dos sintomas e a necessidade de recorrer a um exame invasivo para a confirmação diagnóstica fazem com que a síndrome de congestão venosa pélvica seja pouco diagnosticada. Mulheres com dor pélvica crónica e sem doença aparente podem ter síndrome de congestão venosa pélvica, particularmente quando exacerbada pela posição ostostática prolongada, pela marcha e por vezes associada a varizes vulvares e dos membros inferiores. A embolização das varizes pélvicas na síndrome de congestão venosa pélvica permite estabelecer o diagnóstico definitivo e tem a vantagem de permitir no mesmo procedimento a realização de embolização terapêutica.

Quanto tempo dura o tratamento?

Geralmente o tratamento é definitivo, ou seja, dura para sempre.

Um artigo do Professor Doutor Tiago Bilhim, radiologista de intervenção no Hospital São Louis.

Artigo completo em: https://lifestyle.sapo.pt/saude/saude-e-medicina/artigos/varizes-pelvicas-tudo-o-que-precisa-de-saber-explicado-por-um-medico