Incontinência urinária

Incontinência urinária no idoso

A incontinência urinária tem um impacto direto negativo na qualidade de vida do idoso e está associada a auto-isolamento e depressão.

A incontinência urinária tem um impacto direto negativo na qualidade de vida do idoso e está associada a auto-isolamento e depressão. 

Carateriza-se pela perda incontrolável da urina, e pode manifestar-se em qualquer idade, embora as causas sejam diferentes dependendo desta. A verdade é que a incidência global da incontinência urinária aumenta progressivamente com a idade. É, por isso, um problema muito frequente na população idosa, uma vez que os dados apontam para que mais de 50 por cento dos idosos com mais de 80 anos são incontinentes.

O problema agrava-se quando os doentes por embaraço, medo ou por vergonha, ou mesmo por achar que se trata de uma inevitabilidade do avançar da idade, não procuram ajuda médica, e muitas vezes da família, e preferem isolar-se acabando em complicados estados depressivos e pode até constituir um motivo para a institucionalização. Segundo os dados disponíveis, entre 35 a 50 por cento da população internada sofre de incontinência urinária.

Para além do impacto direto na qualidade de vida, a incontinência urinária, predispõe a dermatoses genitais, úlceras de pressão, infeções do trato urinário, quedas e fraturas ocorridas, frequentemente, no caminho para a casa de banho.

É certo que com a idade surgem naturalmente alterações que por si só não provocam incontinência, mas podem predispor para ela. Podem ser tão simples como a diminuição da mobilidade, a qual, associada a uma dificuldade em retardar a micção – urgência miccional – relativamente frequente no idoso, impede que a pessoa se desloque até à casa de banho a tempo. Com a idade perde-se também a destreza manual e o simples ato de desapertar os botões das calças pode tornar-se numa complicada e morosa tarefa. bexiga do idoso perde algumas propriedades tornando-se frequentemente hiperativa, isto é, obriga a micções mais frequentes, de pequeno volume e acompanhadas de urgência miccional.

Com o avançar da idade são também muito frequentes, quer no homem como na mulher, as micções noturnas. São várias as causas desta situação que designamos por noctúria. Em condições normais os rins não produzem urina durante o sono graças à secreção de uma hormona (hormona anti-diurética), mas com a idade ou por interação de algumas doenças como a obstrução causada pelo aumento da próstatainfeções urinárias, a insuficiência cardíaca, a diabetes, entre outras, esta situação altera-se e as pessoas idosas têm que se levantar 2 ou 3 vezes durante a noite. Se tiverem tomado comprimidos para dormir têm mais dificuldade em despertar para urinar.

Um outro fator importante, e que pode ser contornado, é a ação de alguns medicamentos, que podem tornar o idoso menos reativo ao ponto de não se aperceber da vontade de urinar.

Existem ainda fatores mais complicados como as alterações do estado mental, em que o grau de consciência se vai deteriorando, começando por poder causar uma falta de motivação até chegar à completa perda do controlo voluntário da micção.

Fonte: www.atlasdasaude.pt/publico/content/incontinencia-urinaria-no-idoso