doenças cardiovasculares

Gripe nos idosos aumenta risco de enfarte do miocárdio em 20%, diz estudo

A avaliação das consequências da gripe nas doenças cardiovasculares foi o principal objetivo do estudo BARI – Burden of Acute Respiratory Infections.

in: https://expresso.pt/iniciativaseprodutos/projetos-expresso/2021-02-03-Gripe-nos-idosos-aumenta-risco-de-enfarte-do-miocardio-em-20-diz-estudo

A avaliação das consequências da gripe nas doenças cardiovasculares foi o principal objetivo do estudo BARI – Burden of Acute Respiratory Infections, que colocou em análise detalhada os dados relativos a dez estações gripais entre 2008 e 2018.

O cardiologista Carlos Rabaçal, um dos responsáveis pela pesquisa, explica ao jornal Expresso que “neste estudo português, verificou-se que no pico da estação gripal, em dezembro e janeiro, existe um aumento dos enfartes do miocárdio” na ordem dos 20%.

A relação entre a doença respiratória e o sistema cardiovascular, diz, já é conhecida desde meados do século XX, mas as novas conclusões permitiram perceber que tipo de doentes estão mais expostos e o nível de risco que correm.

À semelhança do que se verifica com a gripe ou com a Covid-19, os grupos mais afetados pela sobreposição de maleitas são os idosos, “indivíduos com diabetes, problemas renais e também aqueles que já tinham uma qualquer doença cardiovascular prévia”. No caso dos mais velhos, 20% dos que estavam engripados tiveram, simultaneamente, um enfarte do miocárdio, com a média de idades a situar-se nos 72 anos.

Adicionalmente, é também este grupo que desenvolve mais complicações, observando-se internamentos hospitalares de maior duração, problemas acrescidos durante esse período e, até, maior taxa de letalidade. “Isto não avaliámos neste estudo, mas sabemos através de investigações já realizadas”, esclarece o responsável de cardiologia do Hospital de Vila Franca de Xira.

Isabel Saraiva, presidente da RESPIRA, diz que em Portugal “existem cerca de dois milhões e picos de pessoas com 65 ou mais anos” e aproximadamente 800 mil portugueses com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), que integram os grupos de risco mencionados pelo estudo BARI. É também por essa razão que tanto a responsável associativa como Carlos Rabaçal sublinham a importância de aderir à campanha anual de vacinação contra a gripe.

“A partir dos 65 anos, a gripe pode ser mais preocupante porque pode gerar pneumonias que agravam as condições crónicas prévias e, no limite, ser fatal”, afirma Isabel Saraiva.