inverno

Prepare agora o seu coração para o inverno

Diversos estudos em vários países da Europa demonstram que os fatores de risco cardiovascular aumentam no inverno comparativamente com os meses de verão. Prevenir agora é evitar riscos para a sua saúde no futuro próximo.

Paulino Sousa, Coordenador de Cardiologia do Hospital CUF Porto

in www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/prepare-agora-o-seu-coracao-para-o-inverno-13127465.html

Diversos estudos em vários países da Europa demonstram que os fatores de risco cardiovascular aumentam no inverno comparativamente com os meses de verão. Prevenir agora é evitar riscos para a sua saúde no futuro próximo.

Sabemos que as doenças cardiovasculares se exacerbam no inverno e é importante que a população adote os cuidados necessários para evitar complicações que daí podem advir.

Está descrito em muitos países o agravamento sazonal, durante os meses frios do inverno, das taxas de trombose venosa profunda, embolia pulmonar, dissecção da aorta, acidente vascular cerebral, hemorragia intracerebral, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, angina de peito, enfarte do miocárdio, morte súbita, arritmias ventriculares e fibrilação auricular.

Esta variação está ligada a múltiplos fatores de risco, tais como temperatura, atividade física, poluição atmosférica, infeções e hábitos alimentares. Outros potenciais fatores de risco envolvem a variação sazonal de colesterol e fibrinogénio; hormonas e substâncias vasoativas que tendem a aumentar no inverno, são apontadas como podendo ter um papel importante na variação sazonal das doenças cardiovasculares.

Estudos demonstraram em vários países da Europa que os fatores de risco cardiovascular – pressão arterial, perímetro abdominal e valores de colesterol total – aumentam no inverno comparativamente aos meses de verão. A título de exemplo, num estudo de 2013 que envolveu cerca de 100.000 pessoas em 7 países da Europa, em média e no verão, os valores de pressão arterial máxima encontrados foram de 3,5 mmHg mais baixos, o perímetro abdominal de menos 1 cm, e os valores de colesterol total de menos 9.27 mg/dl.

O inverno que se aproxima prevê-se desafiante pelo que está nas mãos de cada um de nós adotar agora medidas preventivas para evitar a ocorrência de complicações.

A gripe sazonal pode precipitar um ataque cardíaco em pessoas já em risco de doença cardiovascular. A gripe causa febre, o que faz com que o coração trabalhe num ritmo acelerado, aumentando as necessidades de oxigénio; a gripe pode também causar desidratação que pode reduzir a pressão arterial, baixando o suprimento de oxigénio ao coração. Na atualidade, está documentado que a vacinação contra a gripe sazonal reduz o risco de hospitalização por motivo cardiovascular, possivelmente ao reduzir a probabilidade de uma infeção ser o “gatilho” para uma deterioração cardiovascular. Num estudo apresentado em 2016, a vacinação demonstrou a sua utilidade nos pacientes com insuficiência cardíaca, ao estar associada a uma redução de cerca de 30% de risco de hospitalização. Num outro estudo Dinamarquês de 2019, a vacinação dos pacientes com hipertensão arterial foi associada a uma redução de 18% do risco de morte durante a estação da gripe.

A isto acresce o contexto pandémico que estamos a atravessar. É, por isso, necessário alertar a população para a necessidade de procurar o seu médico para efetuar a vigilância ou acompanhamento necessário da sua saúde cardiovascular com vista a prevenir ou acompanhar patologias que tardiamente diagnosticadas podem ser irreversíveis.

Controlar os fatores de risco tais como a pressão arterial, a diabetes e os valores elevados de colesterol é fundamental e a realização de exames de diagnóstico regulares permite perceber se há indícios de problemas cardíacos como arritmias, insuficiência cardíaca ou mesmo enfarte.

É muito importante adotar um estilo de vida saudável (não fumar, manter uma dieta saudável, fazer exercício aeróbico regular e reduzir os níveis de stress), vacinar os idosos e os grupos de risco assim como combater a propagação das infeções (lavar frequentemente as mãos, promover o distanciamento social, uso de máscara).

A pandemia COVID-19 implicou alterações profundas no funcionamento do sistema de saúde. O receio pelos doentes do risco de contaminação condicionou o atendimento médico. É importante tranquilizar, esclarecendo que as unidades de saúde seguem protocolos e circuitos para garantir a segurança dos doentes e profissionais de saúde, pelo que não devem adiar a deslocação aos hospitais sempre que necessário.

Este contexto de pandemia potenciou também o crescimento da telemedicina e monitorização à distância, com utilização de ferramentas que permitem obter registos de variáveis como a pressão arterial, ritmo cardíaco, peso, oximetria ou atividade física. Estas ferramentas têm grandes vantagens no seguimento dos doentes, no entanto, é necessário alertar que em caso de sintomas graves (dor no peito, falta de ar, náuseas) devem recorrer de imediato ao hospital. A rapidez de atuação nestes casos é determinante para o sucesso do tratamento e para prevenir complicações.

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