lares idosos

Lar doce Lar *

Artigo de opinião de Rui Ribeiro, Psicólogo clínico.

Quanto tempo do nosso tempo é preciso para dar atenção a um idoso?
Uma fração de segundo num sorriso?
Uma fração de segundo num olhar?
Uns minutos de conversa?
Uns minutos de passeio sereno?
Façamos a soma de todo esse tempo. Para nós será uma pequena parte do dia, para ele será cada dia para a eternidade.
Tão simples assim, acrescente pozinhos de atenção e paciência e o dia ficará mais doce.
Estamos no tempo das grandes descobertas internas como seres Humanos.

Maria João Franco Garcia

Numa situação de envelhecimento demográfico, com o aumento considerável da população idosa, o envelhecimento e a saúde são dois temas intrinsecamente relacionados, uma vez que o prolongamento da vida está associado a mais anos de dependência, incapacidades e agravamento de doenças crónicas. À perda dessas capacidades está associada a fragilidade, vulnerabilidade, institucionalização, problemas de mobilidade, risco aumentado de quedas, que acarretam cuidados de longa duração e, consequentemente, um agravamento dos custos. Por outro lado, diversas mudanças societárias provocaram uma reorganização da estrutura familiar, impedindo aos seus membros assegurar as funções que, tradicionalmente, lhe cabiam, nomeadamente, assegurar assistência aos idosos.

Embora a população mundial esteja a envelhecer de uma forma global, há diferenças no ritmo de envelhecimento da população sendo mais rápido nos países em desenvolvimento. Hoje, quase duas em cada três pessoas com 60 ou mais anos vivem em países em desenvolvimento; em 2050, quase quatro em cada cinco vão viver no mundo em desenvolvimento. Por isso, é cada vez mais necessário dar a máxima atenção a esta faixa etária.

A pandemia trouxe para a praça pública um problema que muitos conheciam mas desvalorizavam, sobre os Lares em Portugal e as suas deficientes condições (atenção que muitos países da União Europeia também não estão melhor).

Mas confesso que a dimensão do problema me surpreendeu, sabia que tinham problemas, nunca pensei que fossem tantos.

Mas vamos por partes, num país que tem cerca de 2500 estruturas residenciais dedicadas a acolher idosos, existirem também, 3500 lares em situação ilegal ou mesmo clandestina, é um problema colossal.

São 35 mil pessoas a viver em estruturas ilegais aos olhos do Estado, às quais nem as autoridades de saúde nem da segurança social têm acesso facilitado. Entre estas estruturas, muitas terão as melhores condições, ou muito próximas das exigidas. Outras não reunirão quaisquer condições dignas para acolher idosos. O Estado não tem tido capacidade para fiscalizarnem terá meios para acolher estas pessoas se, de um dia para o outro, começar a mandar encerrar todos estes estabelecimentos.

Como consequência de tudo isto, as pessoas integradas nestes lares vivem numa espécie de clandestinidade que é forçada pelo desespero ou pela necessidade. Por um lado, temos as famílias que não têm ou não podem pagar outra alternativa, por outro lado, temos os idosos, os funcionários destas instituições e todos aqueles que, de uma forma ou de outra, lidam com estas instituições e vão fechando os olhos, pois não conhecem alternativas melhores. Os lares ilegais existem, grosso modo, por três razões principais: falta de resposta legalizada, preços pouco acessíveis, excessiva burocracia e exigência dos regulamentos existentes (Despacho normativo 12/98 de 25 de fevereiro de 1998, é um dos exemplos).

Temos Lares ilegais com excelentes condições para os utentes, com pessoal capacitado e cuidadoso, mas que esbarram na burocracia.

Mas gostava de vos transmitir que nem tudo é mau e que temos excelentes Lares e devem ser esses o exemplo a seguir.

Algumas sugestões:

  • Aumentar as comparticipações às Instituições, incluindo critérios de diferenciação positiva, tendo em conta a qualidade dos serviços, o envolvimento dos colaboradores, a área geográfica de implantação.
  • Capacitar os funcionários dos Lares, bem como, as suas chefias, apostando na crescente profissionalização e numa clara separação de funções entre dirigentes voluntários e equipas técnicas.
  • Aposta numa gestão que valorize o mérito e perspetive o desenvolvimento de carreiras e justas remunerações.
  • Promover o rigoroso respeito pelos direitos dos idosos que não devem continuar a ser infantilizados.

Ao Estado pedimos que capacite, acompanhe pedagogicamente, fiscalize e sancione, sempre que for necessário.

O processo de denúncia devia ser facilitado e centralizado, independente da natureza jurídica da entidade promotora do equipamento e do assunto, defendendo uma atuação holística e centrada no interesse do utente.

A população mais idosa tem sido severamente penalizada e desvalorizada nos últimos tempos em virtude de uma pandemia inesperada que veio complicar, ainda mais, a vivência desta população, contribuindo para aumentar o seu sentimento de inutilidade e onerosidade.

Todos estes fatores, aliados a outros, conduzem a um maior risco de desenvolver problemas de saúde, tanto físicos como mentais. Os direitos da pessoa idosa não podem ser comprometidos e os direitos humanos não podem ser discriminatoriamente garantidos com base na idade cronológica.

Devemos muito a esta geração, temos a obrigação moral e cívica de os respeitar e assegurar um fim de vida digno de qualquer ser humano.

*Lar: Local onde nos sentimos bem, felizes e seguros. O nosso porto de abrigo, o nosso refúgio.

Infelizmente, ao longo dos últimos anos, e devido a episódios de maus tratos e negligência, esta palavra acabou por perdeu o seu verdadeiro sentido e a sua essência, ganhando um significado pejorativo. Por este motivo, recentemente passaram a dotar-se novas designações: residências, casa de acolhimento e até resort

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