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Dia da Consciencialização do Stress: Como gerir o receio dos idosos?

Esta quarta-feira, para assinalar o Dia da Consciencialização do Stress, a psicóloga clínica no Hospital CUF Porto, Magda Oliveira, partilha um artigo de opinião acerca do receio, por parte da população mais idosa, em relação à atual pandemia.

Falar de Covid-19 é falar de uma realidade deveras ameaçadora, capaz de desafiar a normalidade e o bem-estar pré-existente. As mudanças que têm vindo a ocorrer são causadoras de um impacto significativo nas rotinas diárias de todos. Os idosos, esses, experienciam tudo isto de um modo particular.

Temos assistido ao aumento do stress, ansiedade, tristeza e angústia em resultado da pandemia que atravessamos. É por isso importante um olhar atento sob esta realidade. Hoje, 4 de nov assinala-se o Dia da Consciencialização do Stress, mais uma razão para refletir acerca de possíveis estratégias a adotar para minimizar o impacto psicológico negativo da pandemia e promover a saúde mental dos nossos idosos.

O medo, a ansiedade e o stress

O stress resultante desta realidade advém do facto de ser percecionada como tendo demandas que transcendem as capacidades e os recursos existentes para lidar com a situação e o que ela implica: a inexistência de uma cura, o risco de contágio e de transmissão a alguém amado, a possibilidade de morte e de sequelas graves, a perda de alguém querido, um luto com normas impostas, o sofrimento físico, a hospitalização, a perda de autonomia sem ter quem cuide, a perda de liberdade imposta, o alerta e a ausência de controlo, o devassar das rotinas estruturantes, o isolamento e a solidão, a privação das relações afetivas, o empobrecimento dos momentos de lazer e convívio, os danos financeiros.

Todos, aspetos basilares da existência e do equilíbrio humano: a saúde, a perda, a liberdade, a escolha, a segurança, a pertença, o afeto, o valor do tempo e da vida.

Embora impactantes para todos, estas fontes de stress e medo revestem-se de uma dimensão particular na população idosa, tão cheia de recursos e sabedoria e ao mesmo tempo tão cheia de vulnerabilidades e angústias.

Na cabeça de muitos dos idosos paira uma equação simples: “perante tudo isto, o que me torna mais vulnerável à covid, ao medo e ao comprometimento do meu bem-estar?, que recursos existem em mim e à minha volta para responder ao que a situação exige? Serei capaz de lidar bem com a pandemia?”.

Talvez para muitos idosos o maior medo não seja a morte, mas sim a solidão e o isolamento, ou ainda a privação de um abraço, a proibição do contacto social como a ida ao café ou à praça para conviver, ou de trazer pela mão o neto no caminho da escola.

Diminuir o medo, o grau de ameaça que sentem, depende acima de tudo de uma ação concertada que atenda a todos os elementos desta equação. Mais do que a situação, o medo e o stress advêm do modo como a covid é percebida e sentida, como cada idoso avalia as capacidades e ferramentas que acredita ter e, de quais as ações que em consequência vai adotar.

Que estratégias podem ser adotadas?

Para que o resultado da equação seja o correto, cabe a todos os que lhes estão próximos, mas também a toda uma comunidade, capacitar os idosos com recursos pessoais e ambientais:

Informar ativa e proximamente é dar poder. Ajudar a gerir a informação dos média é equilibrar. Disponibilizar meios de proteção e segurança é cuidar. Sensibilizar que o medo na dose certa protege e responsabiliza. Não pode é dominar. Identificar os idosos em maior risco de saúde física e mental. Incentivar e proporcionar um acompanhamento especializado. Tratar a ansiedade e a depressão que pode resultar do medo e da solidão. Estar atento sobretudo nos que apresentam maior risco ou antecedentes; Escutar, ouvir e aceder ao modo único como vivem a pandemia, às suas prioridades de vida, crenças e até barreiras e resistência à proteção. Criar equipas de suporte emocional e ajuda prática que visitem, cuidem, resolvam. Incentivar a preservação de todas as rotinas e atividades gratificantes passíveis de manter. Normaliza e estrutura. Disponibilizar e ensinar a usar os recursos tecnológicos que favorecem o vínculo com o mundo. Assegurar a proximidade com quem é securizante: a família, equipa médica, vizinhança, ou comunidade religiosa. Minimizar o adiar de consultas, exames e tratamentos em pessoas cuja saúde já é periclitante. Criar linhas de apoio clínico ágeis e funcionantes. Sensibilizar as famílias para estarem presentes, para chegarem até eles de modo regular, mesmo que de outras formas. Instituir momentos e rituais (até nas instituições de saúde ou lares) para receberem mensagens do exterior. Demonstrar que são olhados com atenção e atendidos com afeto. 

Fonte: www.noticiasaominuto.com/lifestyle/1619661/dia-da-consciencializacao-do-stress-como-gerir-o-receio-dos-idosos

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