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Parkinson e Alzheimer começam na infância? Partículas de poluição atmosférica encontradas em cérebros jovens

Um estudo publicado pela revista Environmental Research encontrou nanopartículas de poluição atmosférica no tronco encefálico de 186 crianças e jovens entre os 11 meses e os 27 anos.

Um estudo publicado pela revista Environmental Research encontrou nanopartículas de poluição atmosférica no tronco encefálico de 186 crianças e jovens entre os 11 meses e os 27 anos. A presença destas partículas finas está frequentemente associada a danos causados nas doenças de Parkinson ou Alzheimer. Este estudo vem lançar novas hipóteses que terão de ser testadas no futuro para compreender a relação entre a presença de partículas finas no cérebro e o surgimento de doenças neurodegenerativas, isto numa altura em que cerca de 90 por cento da população mundial respira numa atmosfera com elevados níveis de poluição.

A investigação, liderada por Lilian Calderón Garcidueña, da Universidade de Montana, nos Estados Unidos, foi publicada na revista Environmental Research e teve por base o estudo de 186 crianças e jovens entre os 11 meses e os 27 anos, da Cidade do México, que morreram repentinamente.

Os responsáveis deste estudo encontraram nanopartículas de poluição em abundância no tronco encefálico dessas crianças e jovens, sendo provável que as nanopartículas tenham chegado ao cérebro após terem entrado na corrente sanguínea.

Os investigadores e especialistas são cautelosos nas conclusões e consideram que ainda não está comprovado que a presença destas partículas signifique o desenvolvimento de doenças no futuro, ainda que estudos recentes já tenham estabelecido a ligação entre a maior exposição à poluição atmosférica e a probabilidade de desenvolver doenças degenerativas.

No entanto, o que este estudo vem mostrar é que estas partículas finas poluentes, encontradas no tronco cerebral de dezenas de crianças e jovens, podem operar um mecanismo físico associado aos danos que estão presentes nos doentes de Parkinson, Alzheimer ou de doença do neurónio motor (MND).

Barbara Maher, a investigadora, que fez parte da equipa que conduziu o estudo, reconhece que até agora “não é possível provar a relação de causalidade” entre estas partículas finas e o surgimento de doenças.

No entanto, poderá ser uma mera questão de tempo até que seja comprovado por estudos futuros: “Como é que podemos esperar que estas nanopartículas (…) fiquem inertes e inofensivas dentro de células críticas do cérebro? Esta é a nossa evidência: parece que estas partículas finas estão a disparar as balas que provocam os danos neurodegenerativos observados”.

Apesar de todos os avanços na medicina, as origens e as causas das doenças neurodegenerativas são complexas e muitas vezes incompreensíveis. “Definitivamente, haverá fatores genéticos e é muito provável que haja outros (…). Mas o que há de especial na poluição do ar é que as pessoas estão amplamente expostas. Não acho que o corpo humano tenha desenvolvido quaisquer mecanismos de defesa para se proteger de nanopartículas”, refere Barbara Maher.

Existem muitas outras causas prováveis para as doenças neurodegenerativas. Mas a nossa exposição à poluição e agentes patogénicos é provavelmente muito importante para as desencadear”, considerou.

Fonte: www.rtp.pt/noticias/mundo/parkinson-e-alzheimer-comecam-na-infancia-particulas-de-poluicao-atmosferica-encontradas-em-cerebros-jovens_n1264700

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