idosos

“Os idosos são pessoas”

Artigo de opinião de Silva Araújo, in www.diariodominho.pt

1. Recordo palavras do Papa Francisco proferidas no Dia dos Avós:

«Na memória dos Santos Joaquim e Ana, os “avós” de Jesus, gostaria de convidar os jovens a fazer um gesto de ternura para com os idosos, especialmente os que vivem sozinhos, nos lares e residências, aqueles que não veem os seus entes queridos há muitos meses.

Queridos jovens, cada uma destas pessoas idosas é o vosso avô! Não as deixeis sozinhas! Recorrei à fantasia do amor, fazei-lhes telefonemas, chamadas em vídeo, enviai mensagens, ouvi-as e, se possível em conformidade com as normas médicas, ide também visitá-las. Enviai-lhes um abraço.

Elas são as vossas raízes. Uma árvore separada das raízes não cresce, não dá flores nem frutos. Por isso são importantes a união e a ligação com as vossas raízes».

2. Inspirado nestas palavras o Departamento do Vaticano para os Leigos, a Família e a Vida lançou uma campanha de abraços, físicos e virtuais, para os mais velhos.

É possível vencer o isolamento dos idosos também respeitando rigorosamente as normas de saúde em matéria de Covid-19. A pandemia atingiu particularmente os idosos e debilitou os já fracos vínculos entre as gerações, mas respeitar o distanciamento não significa aceitar um destino de solidão e de abandono”, assinalou em comunicado.

A campanha “Cada idoso é teu avô” convidou os jovens de todo o mundo a fazer “um gesto de ternura para com os idosos que se sentem sozinhos”. E referiu testemunhos de várias comunidades católicas que multiplicaram contactos telefónicos, via web, redes sociais – “até serenatas para os hóspedes das casas de repouso” – realizados por jovens, para impedir a solidão de muitas pessoas forçadas pela pandemia a permanecer em suas casas ou fechadas em lares.

3. Isto fez-me pensar, mais uma vez, na situação dos idosos, nem sempre tratados com o respeito e o carinho que merecem.

Não me canso de repetir que os idosos são pessoas. Sejam quais forem as suas limitações nunca perdem o estatuto de pessoas para serem tratados como se fossem coisas.

Porque são pessoas, os idosos têm uma dignidade e um conjunto de direitos que lhes devem ser respeitados em todas as circunstâncias. A situação de dependência não justifica que se tratem de qualquer maneira.

Um idoso é um ser humano. É, para quem tem fé, um filho de Deus. E isto tem consequências.

O idoso tem direito a uma velhice sossegada. Tem direito ao reconhecimento das novas gerações, beneficiárias do fruto de árvores por ele plantadas.

Que se não espere pela sua partida para lhe oferecer flores ou fazer discursos laudatórios. Proporcionem-lhe, em vida, condições dignas. Mostrem-lhe, em vida, quanto o estimam e quanto lhe estão gratos. Que ele não sinta que está a ser um estorvo.

4. O lugar ideal para os idosos é a família; o ambiente em que sempre viveram. Quando não é possível surge a solução dos lares, de que muito se tem falado.

Que estes sejam verdadeiros lares e não arrecadações, onde o que interessa é arrumar o maior número de pessoas no espaço disponível.

Que sejam servidos por gente capaz, devidamente habilitada, em número suficiente, com o tempo necessário para dispensar aos utentes a atenção que merecem, justamente remunerada.

5. Quer nos lares quer fora deles, que se lhes dê uma alimentação saudável e bem confecionada. Que se procure que andem asseados. Que haja a preocupação de os ajudar a passar o tempo e a não alimentar sentimentos de solidão ou abandono. Que notem que são ouvidos, sobretudo quando se trata de tomar decisões que os afetam. Que vejam atendidas as suas justas reclamações. Que tenham a devida assistência médica e, respeitando a sua liberdade, religiosa. Que os crentes não partam sem o conforto que a Igreja lhes pode dar.

Que, estejam onde estiverem, os idosos não se sintam arrumados mas se vejam carinhosamente servidos.

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