saúde mental

Estado da Nação: Pandemia representa “um sério risco” de problemas adicionais de saúde mental

A pandemia Covid-19 representa “um sério risco” de problemas adicionais de saúde mental, sendo “particularmente preocupantes” as perturbações que se desenvolverão nos próximos meses devido “às graves consequências” sociais e económicas desta crise, alerta um relatório.

A pandemia Covid-19 representa “um sério risco” de problemas adicionais de saúde mental, sendo “particularmente preocupantes” as perturbações que se desenvolverão nos próximos meses devido “às graves consequências” sociais e económicas desta crise, alerta um relatório.

A situação de isolamento, de incerteza quanto ao futuro, de perda e de luto poderá determinar, numa primeira fase, um aumento dos problemas de ansiedade e depressivos, na maior parte dos casos autolimitados e de gravidade ligeira”, refere o relatórioEstado da nação e as políticas públicas”, organizado pelo ISCTE.

No entanto, “são particularmente preocupantes as perturbações mentais que se desenvolverão ou agravarão nos próximos meses, principalmente devido às graves consequências sociais e económicas desta crise de saúde pública (pobreza, desemprego, precariedade, insegurança e endividamento)”.

A análise é feita pela economista da saúde e gestora hospitalar Ana Sofia Ferreira, pela psiquiatra Manuela Silva, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e Julian Perelman, da Escola Nacional de Saúde Pública, em que destacam que Portugal está em 5.º lugar, entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), no consumo de antidepressivos, apresentando também elevado consumo de ansiolíticos.

Apesar de a saúde mental ser considerada uma prioridade de saúde e ter sido estabelecido o Plano Nacional de Saúde Mental (PNSM 2007‑2016), com extensão a 2020, por “falta de impulso político, de financiamento adequado e de capacidade de implementação das mudanças necessárias, este plano tem ficado muito aquém dos objetivos que pretendia atingir”.

As pessoas com perturbação mental grave (cerca de 4% da população) são “as mais vulneráveis” da sociedade, “esquecidas, estigmatizadas, durante séculos escondidas e maltratadas”, realçam.

A evidência científica demonstra que o seu tratamento se deve basear no apoio clínico e em programas de cuidados psicossociais integrados, prestados por equipas comunitárias e multidisciplinares, como está preconizado no PNSM, mas em Portugal o tratamento de grande parte destes doentes continua a limitar‑se aos fármacos, sem acesso a um projeto de reabilitação psicossocial, impedindo-as de “recuperarem competências e de terem uma participação plena na sociedade, no mercado de trabalho e na sua vida familiar”.

Para os investigadores, é necessário melhorar a respostas dos Cuidados de Saúde Primários e dos Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental e dar “uma resposta hospitalar assente numa componente comunitária mais robusta e eficaz”.

O parlamento tem agendado para esta sexta-feira o debate do Estado da Nação.

revista dignus

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