idosos

Os idosos

Com alguma frequência tenho ouvido dos meus familiares idosos manifestações de desgosto/ desalento e desilusão com a vida. De maneiras diferentes, mas todos apontam no mesmo sentido.

Artigo de opinião, por Artur Nunes
in https://labor.pt/home/2020/07/02/os-idosos/

Com alguma frequência tenho ouvido dos meus familiares idosos manifestações de desgosto/ desalento e desilusão com a vida. De maneiras diferentes, mas todos apontam no mesmo sentido. Que já não servem para nada, que ninguém lhes liga, mas que também não admira, porque nunca ninguém lhes deu o verdadeiro valor ou tão pouco apreciou. Ao princípio não ligava até achava natural e que era próprio da idade.

Ultimamente tenho comentado isto com amigos e curiosamente dizem-me que os seus familiares dizem o mesmo. Sendo assim, parece-me um fenómeno generalizado, o que é preocupante.

Matutei no assunto e cheguei à conclusão que nós somos os culpados. Somos culpados porque deixamos de dialogar com eles e quando o fazemos, se não ouvimos o que queremos ou gostamos, acabamos por rematar o diálogo, com frases fatídicas, do tipo “Agora já não é assim”, ” Isso era no seu tempo” , “Você sabe lá o que está a dizer” e desligamos. Atitudes destas são no mínimo desumanas.

É verdade que determinados assuntos da atualidade são do seu desconhecimento e consequentemente da sua opinião, seja descabida ou disparatada. Mas eles querem falar, querem ser simpáticos, querem ser prestáveis, em suma querem sentir-se úteis. De facto deve ser muito triste, sentirmo-nos passados e inúteis e pensar que a nossa vida foi banal e sem qualquer importância. Factos essenciais que levam o idoso, em desespero, a manifestar- se da maneira que o faz.

Em face disto, e se a minha teoria estiver certa, porque não mudarmos o sentido do diálogo, para algo que eles (idosos) saibam discutir – chamar-lhes atenção para o bom que foi eles terem existido, o quanto contribuíram para a felicidade dos que com eles (idosos) conviveram, lembrar -lhes coisas boas do passado, lembrar -lhes algo de notável que tenham feito ou que lhes tenha acontecido – não conheço nenhum idoso que não goste de falar do passado.

No fundo é retribuir-lhes o amor e carinho que nos deram quando dele precisamos.

E, quantas coisas mais poderíamos fazer por eles? Penso que muitas. Se todos procedêssemos deste modo, aquelas angustias e desesperos com que deparamos, certamente, tenderiam a desaparecer.

Se nós transformarmos nos seus Anjos da Guarda, contribuiremos para que os seus últimos dias de vida sejam passados com alguma felicidade e dignidade.

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