FERIDAS

Feridas e úlceras complicadas: “Medidas eficazes evitam internamentos prolongados”

Opinião de Paulo Alves, professor auxiliar da Universidade Católica Portuguesa | ICS | Centro Inv. Interdisciplinar em Saúde. Coordenador do Wounds Research Lab. Presidente da APTFeridas

Opinião de Paulo Alves, professor auxiliar da Universidade Católica Portuguesa | ICS | Centro Inv. Interdisciplinar em Saúde. Coordenador do Wounds Research Lab. Presidente da APTFeridas

in www.justnews.pt/artigos/feridas-e-ulceras-complicadas-o-tratamento-assenta-numa-complexa-abordagem-do-individuo#.Xuy_1ZpKi71

O envelhecimento da população e o aumento das doenças crónicas contribuem para a crescente incidência e prevalência de feridas, logo os cuidados preventivos na comunidade são essenciais.

O tratamento de feridas assenta numa complexa abordagem do indivíduo que está incapacitado e necessita de ser tratado, sendo mais do que uma simples execução do penso ou curativo.

Dados relativos ao estudo epidemiológico nacional (Alves, Amado & Vieira, 2015) reportam que a prevalência global de feridas nos cuidados de saúde diferenciados foi de 33%, onde 1 em cada 3 utentes internados apresenta ferida e, nos cuidados de saúde primários, foi de 2,2/1000 habitantes.

As feridas crónicas representam uma prevalência estimada de 1,6/1000 habitantes: úlcera de pressão 0,7/1000 habitantes; úlcera de perna 0,7/1000 habitantes; pé diabético 0,15/1000 habitantes; e ferida maligna 0,1/1000 habitantes.

As feridas crónicas, bem como as complexas, implicam custos elevados para o sistema de saúde: custos associados à aquisição de material preventivo, tratamento da ferida e das suas complicações; custos relacionados com internamentos prolongados e custos associados ao tempo despendido nos cuidados prestados. (Duque et al., 2009).

A estratégia passa por avaliação cuidada do doente, estratificação de risco e implementação de medidas preventivas direcionadas aos utentes, impedindo o seu desenvolvimento, por exemplo, as úlceras por pressão, assim como após o seu aparecimento, medidas eficazes de tratamento, evitando internamentos prolongados e infeção, com custos elevados para o erário público e com grande sofrimento para doentes e familiares.

Embora as úlceras por pressão sejam problema que surge em todos os contextos, do domicílio às unidades de saúde onde existem doentes com grau de dependência (Cox, 2012), é certo que o risco de desenvolvimento de úlceras por pressão é mais elevado numa Unidade de Cuidados Intensivos e a pessoa em situação crítica tem necessidades de prevenção e tratamento de úlceras de pressão específicas (EPUAP, NPUAP, PPPIA 2019).

No contexto hospitalar, é nas unidades de Cuidados Intensivos que existe uma maior taxa de incidência e prevalência destas lesões, que poderão ser explicadas por fatores associados à pessoa em situação crítica (Lahmann, Kottner, Dassen,& Tannen, 2011). Os resultados a nível internacional são semelhantes aos nacionais, que demonstram que os valores de incidência nas UCI variam entre os 0 e os 53% (Cuddigan, 2012).

A existência de uma ferida complexa tem importantes repercussões a nível da qualidade de vida do doente, seus cuidadores e familiares, ao nível da dor, do sofrimento e, por vezes, a morte, assim como a nível social e económico. Prevenção, diagnóstico e tratamento adequado podem contribuir para evitar e/ou reduzir este sofrimento; todos estes fatores fazem deste um assunto de relevo na comunidade científica.

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