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Demência na 3.ª idade: quando procurar ajuda?

Saber qual é o momento ideal para procurar ajuda em casos de demência na terceira idade é essencial no diagnóstico e na escolha da metodologia terapêutica mais adequada ao tratamento.

Saber qual é o momento ideal para procurar ajuda em casos de demência na terceira idade é essencial no diagnóstico e na escolha da metodologia terapêutica mais adequada ao tratamento. Esta síndrome pode variar de acordo com o grau de comprometimento e a possibilidade ou não de reversão do quadro.

Tendo isto em vista, a proposta deste artigo, que contou com a colaboração do psicogeriatra Marcel Vella Nunes, é apresentar informações e factos sobre a demência na 3.ª idade.

Um breve panorama sobre demência na 3.ª idade

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), devido ao envelhecimento da população, a estimativa é que o número de pessoas com demência chegue a mais de 150 milhões até 2050.

A descoberta de novas vacinas, antibióticos mais específicos, inovações nos tratamentos quimioterápicos e de uma série de exames complementares de diagnóstico propiciaram a adoção de medidas preventivas e curativas.

Considerando que as demências são as enfermidades neuropsíquicas de grande prevalência no grupo da 3.ª idade, o caminho é observar os sintomas e sinais dessa doença. Isso possibilita o diagnóstico precoce e um acompanhamento profissional que diminua o comprometimento neuro-cognitivo e melhore a qualidade de vida.

Entenda o que causa a demência

O envelhecimento é caracterizado por um declínio natural e progressivo que implica a diminuição funcional da maioria dos processos fisiológicos. Esses mecanismos de mudanças no corpo afetam, principalmente, a capacidade de regeneração celular e tecidual, que antes assegurava a manutenção das funções vitais.

A demência é uma síndrome – geralmente de natureza crónica ou progressiva – na qual há deterioração da função cognitiva (ou seja, a capacidade de processar o pensamento) além do que se pode esperar do envelhecimento normal. Afeta a memória, o pensamento, a orientação, a compreensão, o cálculo, a capacidade de aprendizagem, a linguagem e o raciocínio. A consciência não é afetada. O comprometimento da função cognitiva geralmente é acompanhado e, às vezes, precedido de deterioração do controlo emocional, comportamento social ou motivação, levando assim a uma perda da qualidade de vida e funcionalidade.

Sabe-se, porém, que os quadros demenciais, principalmente o Alzheimer, resultam do acúmulo de duas proteínas no cérebro. Uma delas é a beta-amiloide, que forma placas de gordura nas áreas cerebrais. A outra é a proteína tau, que é identificada sob a forma de fibrilas que se parecem com as pequenas caudas dos girinos.

Além das causas metabólicas, os fatores genéticos também influenciam consideravelmente o desenvolvimento dos quadros demenciais. Por isso, incentive o seu familiar a manter uma rotina diária de atividades que estimulem a mente e o corpo. Exercitar o cérebro e o corpo pode trazer excelentes resultados, já que essas medidas funcionam como fator de neuroproteção.

A idade avançada também deve ser considerada. Não como causa, mas como um elemento que favorece a degeneração celular cerebral e, por conseguinte, prepara o terreno para o acúmulo das proteínas responsáveis pela demência.

Outro fator de influência é o género, já que um dos grandes desafios para os investigadores dessa área é entender por que é que as demências são mais comuns em mulheres do que nos homens. Nos EUA, as americanas com idade superior a 60 anos têm maior probabilidade de desenvolver demência do que cancro de mama.

20 sintomas e sinais da demência na 3.ª idade

De modo geral, as demências estão classificadas em dois tipos: as de caráter reversível e as que são irreversíveis. As reversíveis englobam as doenças causadas pelos distúrbios hormonais ou de ordem metabólica, como disfunção tireoidiana, deficiências vitamínicas e por efeitos colaterais de medicamentos de uso prolongado, por exemplo.

Por outro lado, as demências consideradas irreversíveis são relacionadas com processos neurodegenerativos do cérebro, como o Alzheimer e outras doenças similares. Para os que se inserem nesta classificação, há alternativas de tratamento e cuidados paliativos que podem melhorar a rotina do idoso e proporcionar melhor qualidade de vida.

Para melhorar a compreensão do tema, listamos 20 sintomas que exigem atenção e sugerem a procura de um especialista para avaliar o caso:

  1. apatia;
  2. ansiedade;
  3. sinais de depressão;
  4. desorientação espacial;
  5. dificuldade de equilíbrio;
  6. dificuldade de deglutição;
  7. fazer perguntas repetitivas;
  8. mudanças de personalidade;
  9. incontinência fecal e urinária;
  10. mau humor e descontentamento geral;
  11. esquecimento de datas ou eventos importantes;
  12. não se recordar do local em que guardou objetos;
  13. declínio mental e confusão mental durante a noite;
  14. dificuldade para coordenar movimentos musculares;
  15. incapacidade de falar ou de entender o próprio idioma;
  16. muita dificuldade para adormecer ou distúrbios do sono;
  17. ​mudanças de humor ou ira, mesmo sem razão aparente;
  18. agressividade verbal, inquietação e irritabilidade constante;
  19. perda gradual de memória para informações recentemente aprendidas;
  20. invenção de acontecimentos ou factos e incapacidade de reconhecer coisas comuns.

Saiba o momento de procurar ajuda

A demência tem um início insidioso, não apresenta sintomas claros e, por isso, exige muita atenção para identificar os sinais sugestivos de perda cognitiva. Mas vale ressaltar que os quadros desta síndrome vão muito além de uma perda de memória ou do comprometimento das funções cognitivas.

Ainda que apresente diferentes sintomas, esta condição pode estar associada a fatores como stress e crises depressivas, problemas que geram complicações que podem afetar a memória, a capacidade de raciocínio e levar à insónia, por exemplo. Por isso, a identificação da demência nem sempre é simples, pois os sintomas iniciais são subtis e não são fáceis de serem reconhecidos.

Por fim, é preciso estar atento a qualquer alteração comportamental que seja diferente do habitual. Se perceber que o seu familiar apresenta algum comprometimento, mesmo que seja leve, mas que representa perdas, esse é o momento de procurar ajuda profissional, para iniciar um tratamento especializado e minimizar os efeitos.

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