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Colesterol e Covid-19: É fundamental controlar os fatores de risco, dizem os especialistas

O Jornal Médico promoveu, no dia 30 de abril, um webinar, em que foram abordadas a forma como a infeção pelo novo coronavírus se relaciona com a doença cardiovascular.

O Jornal Médico promoveu, no dia 30 de abril, um webinar, em que foram abordadas a forma como a infeção pelo novo coronavírus se relaciona com a doença cardiovascular e a resposta que tem sido dada aos doentes, num contexto em que os serviços de saúde estão direcionados para a Covid-19.

Esta conversa digital, que teve o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e o apoio Bial, contou com a participação de três médicos especialistas de Cardiologia, Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar, que partilharam as suas perspetivas sobre os desafios atuais.

A ligação entre o colesterol elevado e a Covid-19 não é direta, mas a evidência mostra que, se infetados, os doentes cardiovasculares são um grupo em maior risco, sendo a dislipidemia um dos fatores que contribui para a ocorrência de AVC e enfarte.

A médica especialista em Cardiologia e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Cristina Gavina, esclareceu que o colesterol elevado não torna as pessoas mais predispostas a ter Covid-19, mas sublinha que “ter Covid-19 pode despoletar a progressão da doença mais facilmente e terem um evento agudo”.

Questionada sobre os dados que sustentam algumas notícias tornadas públicas que referem que alguns medicamentos podem, alegadamente, agravar a sintomatologia e prognóstico em caso de Covid-19 ou representar um risco acrescido em doentes não infetados, defende tratar-se de um mito. Mito esse que pode prejudicar os doentes, levando-os a descontinuar a sua terapêutica.

Acho que é fundamental as pessoas não pararem as medicações que as protegem e que podem ter, efetivamente, impacto naquilo que vai ser a progressão da sua doença crónica e agudização, com receio de uma coisa que não é verdade”, frisou Cristina Gavina.

Em termos de medicação, este posicionamento é partilhado pelos especialistas que foram também unânimes no que concerne à importância de se controlar os fatores de risco.

O facto de muitos doentes estarem a evitar ir às urgências dos hospitais e a minimizar a importância atribuída a sintomas de enfarte e AVC, com receio de ficarem internados e de serem infetados com Covid-19, mereceu a atenção do médico especialista em Medicina Interna e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, Francisco Araújo.

Em Portugal houve menos 200 mil urgências, no último mês e meio. É um número extremamente significativo. Sabemos que a mortalidade aumentou duas ou três vezes, e foi, em parte, porque os doentes podem ter abandonado a medicação, mas, seguramente, foi muito por não recorrerem aos serviços de urgência”, destacou.

Neste cenário, inclui-se também o facto de dois terços da população portuguesa ter níveis de colesterol elevados e a sua relação com a doença aterosclerótica. “No colesterol, nós não sabemos qual é o nível mais baixo que vem a condicionar problemas. Nascemos com níveis de colesterol na ordem dos 50/60 e o facto de dois terços da população portuguesa ter níveis de colesterol elevados faz com que se perca um bocadinho a noção do que é o critério da normalidade”, recordou Francisco Araújo.

Conclui, por isso, que o critério da normalidade não são, “seguramente”, os valores apresentados pela maior parte da população, que ronda os 200: “São valores muito mais baixos, porque só há doença aterosclerótica, existindo colesterol”.

Houve tempo para a questão comportamental, considerada fundamental nos doentes com dislipidemia – e que, devido à pandemia, pode ter sofrido alterações, nomeadamente, no que concerne a hábitos alimentares e à prática de exercício físico.

Este foi um dos tópicos abordados pelo médico especialista em Medicina Geral e Familiar Philippe Botas, que além apontar o estilo de vida saudável como o “patamar base” para qualquer tratamento do metabolismo dos lípidos, considera que o isolamento social, apesar de tudo, pode ser “uma janela de oportunidade para investir na atividade física”, referindo a possibilidade da prática dentro de quatro paredes.

Referiu também o acompanhamento feito pelos médicos de família aos utentes, que considera “fundamental” em casos como a dislipidemia e risco cardiovascular, sublinhando a importância de uma relação preexistente.

Outra questão levantada por Philippe Botas prende-se com a uma necessidade identificada, antes desta pandemia e que agora se torna premente, nomeadamente, a melhoria dos canais de comunicação com os cuidados hospitalares. “Acho que era muito importante, para conseguirmos assegurar que os médicos de família possam discutir casos específicos com os colegas, médicos de outras especialidades e que o possam fazer em tempo útil e, assim, garantir o bom atendimento aos nossos utentes”, sustenta.

Fonte: https://jornalmedico.pt/atualidade/38824-colesterol-e-covid-19-e-fundamental-controlar-os-fatores-de-risco-dizem-os-especialistas.html

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