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Vertigem: um sintoma e não uma doença

A vertigem e o desequilíbrio são queixas frequentes – calcula-se que 20% das pessoas entre os 18 e os 65 anos já tenham sentido um episódio de vertigem/alteração do equilíbrio.

A vertigem e o desequilíbrio são queixas frequentes – calcula-se que 20% das pessoas entre os 18 e os 65 anos já tenham sentido um episódio de vertigem/alteração do equilíbrio. Perceba o que é a vertigem e o chamado Síndrome Vertiginoso.

O que é?

A vertigem é uma ilusão de movimento, normalmente rotatória, em que temos a sensação que nós ou o meio que nos rodeia gira. Este sintoma, normalmente episódico, começa de forma súbita e muitas vezes é acompanhando de náuseas, vómitos, sudorese, palidez e alteração do equilíbrio. No entanto, não provoca perda de consciência.

Conceição Monteiro, Otorrinolaringologista responsável pela Consulta de Vertigem e Reabilitação Vestibular do Hospital Lusíadas Lisboa e presidente da Associação Portuguesa de Otoneurologia, esclarece que “a vertigem é um sintoma e não uma doença” e salienta a importância de desmitificar o chamado Síndrome Vertiginoso. “Muitas vezes é utilizado este termo quando o doente se dirige a uma consulta ou ao serviço de urgência, mas não é nenhum diagnóstico. Síndrome Vertiginoso designa um conjunto de sintomas”, vinca.

Calcula-se que 20% das pessoas entre os 18 e os 65 anos já tenham sentido um episódio de vertigem/alteração do equilíbrio e que cerca de 30% destas mantêm algumas queixas ao fim de 12 meses. A título de exemplo, Conceição Monteiro lembra que nos Estados Unidos a vertigem é a principal causa de consulta de Otoneurologia em doentes com mais de 75 anos.

Causas

A maioria dos casos de vertigem e desequilíbrio resultam de doenças envolvendo o sistema vestibular periférico (ouvido interno), mas também podem resultar de disfunções no sistema vestibular central (no cérebro). Em ambos os casos, os processos podem ser súbitos, manifestando-se após infeções, inflamações, após a toma de fármacos ototóxicos nomeadamente alguns tipos de antibióticos, traumatismos e acidentes vasculares.

Manifestam-se, no entanto, de diferentes formas, o que lhes confere grande subjetividade, transformando a abordagem diagnóstica numa avaliação complexa. Por isso mesmo, Conceição Monteiro destaca a importância da Otoneurologia que se dedica ao estudo e tratamento médico e cirúrgico da vertigem, dos zumbidos e das alterações do equilíbrio.

Estes doentes devem ser seguidos nestas consultas também chamadas de consulta de vertigem”, salienta a médica.

As diferentes estatísticas sobre as principais causas de vertigem variam muito consoante o serviço, seja de Otorrinolaringologia ou de Neurologia, mas as principais causas, segundo Conceição Monteiro, são:

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB);

Enxaqueca vestibular;

Vertigem postural fóbica;

Doença de Menière;

Nevrite vestibular;

Outras vertigens de origem central;

Vestibulopatias bilaterais.

Tratamento

A terapêutica é diferente consoante o diagnóstico, mas assenta em três tipos de tratamento: farmacológico, cirúrgico e reabilitação vestibular, desempenhando este último um papel muito importante no tratamento do doente com vertigem e alteração do equilíbrio. Esta abordagem “consiste em programas de exercícios específicos, que se baseiam em mecanismos de neuroplasticidade que conduzem à diminuição da vertigem e à recuperação do equilíbrio. É uma forma de tratamento complementar quer ao tratamento farmacológico quer ao tratamento cirúrgico e contribui para melhorar a qualidade de vida e autoestima do doente e diminuir o risco de quedas”, salvaguarda a especialista.

Quedas no idoso

Algumas queixas de vertigem e desequilíbrio resultam, muitas vezes, em episódios de quedas, sendo que a faixa etária acima dos 65 anos é a mais afetada. Conceição Monteiro recorda que estas quedas são o acidente doméstico mais frequente e a principal causa de morte acidental, pelo que perante uma pessoa com esta patologia o médico nunca poderá ter uma atitude passiva. “É primordial iniciar uma abordagem diagnóstica e terapêutica de modo a serem identificados os fatores de risco de maneira a promover a qualidade de vida do idoso”, salienta, referindo que é na consulta de Otoneurologia que se poderá obter o diagnóstico mais preciso possível e dar uma resposta terapêutica.

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