Podemos viver sem envelhecer?

Miguel Coelho é um biólogo português em Harvard (EUA ), que descobriu um micróbio unicelular (S. pombe) que rejuvenesce cada vez que se divide, desde que esteja num ambiente com condições favoráveis.

Miguel Coelho é um biólogo português em Harvard (EUA ), que descobriu um micróbio unicelular (S. pombe) que rejuvenesce cada vez que se divide, desde que esteja num ambiente com condições favoráveis. Ou seja, não envelhece nunca.

É possível estar vivo sem envelhecer?

Sim, isso foi verificado, pela primeira vez, em organismos simples que se reproduzem mais rapidamente do que envelhecem.

Como explica que o microrganismo que descobriu não envelhece mas não é imortal? Morre “jovem”?

Não encontrei evidência de que o organismo S. pombe envelhece, nesse sentido sim, morre jovem. Isto acontece porque acumula componentes danificados mais lentamente que o seu processo de divisão. As células morrem por erros na divisão e/ou acumulação de danos resultantes de stress e do meio ambiente.

Em que ponto está a sua investigação nesta área?

Neste momento estou a estudar a evolução da instabilidade genética, um dos primeiros passos em cancro, que também ocorre durante o envelhecimento. Já descobri novas classes de mutações que, pelo menos em levedura, parecem contribuir para esta instabilidade genética.

E a eterna luta contra o envelhecimento humano?

Estamos mais perto de retardar o envelhecimento com sucesso e viver uma terceira idade mais saudável e, física e mentalmente, mais ativa do que pura e simplesmente acabar com o envelhecimento. Para já, isso é uma utopia.

Na sua opinião, por onde deve começar esta luta?

É uma luta integrada. Todos os órgãos estão em comunicação: através do sistema circulatório, nervoso ou linfático, ou através de hormonas. Os órgãos mais suscetíveis de envelhecer são os que demonstram uma taxa de divisão celular inferior, como o cérebro ou o coração. Se existissem terapias para melhorar a performance e a estabilidade desses órgãos – ou do fígado, rins e pulmões – talvez isso contribuísse, de forma integrada, para o retardamento do envelhecimento. Nisso, a terapia regenerativa e de células estaminais, parecem ser uma via de investigação com futuro.

Estará o ser humano preparado para esta responsabilidade?

Cabe a cada um de nós gerir o seu processo de envelhecimento, contrabalançar o stress do trabalho com o exercício físico e com momentos de recreação. A felicidade e a capacidade de rir e de nos descontrairmos estão também associadas a um envelhecimento saudável. A ciência, para já, pode contribuir com terapias para aliviarmos alguns dos sintomas do envelhecimento. Mas estamos ainda longe de o conseguir reverter.

Fonte: https://rotasaude.lusiadas.pt/prevencao-e-estilo-de-vida/bem-estar/podemos-viver-sem-envelhecer/

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