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Cromossomas sexuais iguais podem ter relação com longevidade

Relatório da Universidade de New South Wales sugere que ter um par de cromossomas do mesmo sexo pode ser parte da razão pela qual as mulheres vivem mais.

Nos seres humanos e em outros mamíferos, as fêmeas são homogaméticas, o que significa que têm dois cromossomas iguais, o X. Os machos são heterogaméticos, ou seja, têm cromossomas sexuais diferentes – um cromossoma X e um Y “menor”.

Um novo relatório de investigadores da Universidade de New South Wales, em Sydney, Austrália, sugere que ter um par de cromossomas do mesmo sexo pode ser parte da razão pela qual as mulheres vivem mais.

Os autores descobriram que em todo o reino animal, aqueles com dois cromossomas sexuais idênticos vivem em média 17,6% a mais do que aqueles com dois tipos de cromossomas sexuais.

Os mamíferos não são os únicos animais nos quais um par de cromossomas correspondentes tem associação com um sexo específico.

Além disso, nem todas as mulheres são homogaméticas. Aves machos e alguns répteis, por exemplo, têm cromossomas ZZ, enquanto as fêmeas são heterogaméticas, tendo uma combinação de cromossomas ZW.

Alguns animais não têm um cromossoma do segundo sexo, incluindo a maioria dos aracnídeos masculinos.

Usando dados existentes de livros científicos, artigos e bancos de dados online, os investigadores estudaram registos de longevidade de ambos os sexos em 229 espécies de animais.

Descobriram assim que as espécies nas quais as fêmeas têm um par de cromossomas sexuais correspondentes, aumentam significativamente a longevidade em relação aos machos homogaméticos.

Em espécies como mamíferos, insetos, peixes e alguns répteis – onde as fêmeas são o sexo homogamético – as fêmeas vivem 20,9% mais. Nas espécies onde os machos são homogaméticos, como pássaros e borboletas, o aumento na vida útil é de apenas 7,1%.

O que explica a diferença?

Não está claro se esta disparidade reflete uma maior longevidade em mulheres homogaméticas ou se revela que a longevidade masculina é afetada negativamente por outros fatores, independentemente de terem coincidido com cromossomas sexuais.

Um especialista de Lyon, França, que não participou no estudo, sugere dois desses possíveis fatores. Primeiro, a energia gasta pelos homens na atração de mulheres tem um preço alto.

Os machos tendem a exibir traços físicos exagerados, especialmente machos homogaméticos – os pássaros machos, por exemplo, têm cores mais vivas do que as fêmeas. Comportamentos especiais de consumo de energia também são mais comuns entre os machos, como na dramática dança do acasalamento da ave-do-paraíso.

Há também a hipótese do “X desprotegido”, que os investigadores queriam testar. O cromossoma Y é menor que o cromossoma X e, em alguns casos, totalmente ausente.

Por causa disso, a hipótese considera o cromossoma Y muito pequeno para cobrir um cromossoma X que possui mutações prejudiciais, o que deixa o indivíduo exposto a possíveis ameaças à saúde.

Este estudo é considerado um bom início num campo amplamente inexplorado, com muitas perguntas. Por exemplo, os cientistas ainda não sabem se o tamanho relativamente menor de um segundo cromossoma não correspondente tem efeito na longevidade.

Há também uma enorme quantidade de diversidade entre espécies que os cientistas querem explorar mais. Os autores do relatório descobriram que, por exemplo, a XX fêmea Blattella germânica – a barata alemã – sobrevive, em relação ao sexo masculino, por mais do que os 20,9% de outras fêmeas homogaméticas.

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