covid-19

Covid-19 ou Comvida-20?

O vírus, a diabetes e o trabalho, todos temos algo a fazer.
A opinião de José Manuel Boavida, Presidente da APDP – Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal.

Covid-19 não escolhe nacionalidade, classe social, não se preocupa com a religião e é indiferente ao género e à idade. Todos estamos em risco. No entanto, sabemos que todas as pessoas com doenças crónicas, onde se incluem as pessoas com diabetes, correm o risco de desenvolver complicações mais graves se forem infectadas com o Covid-19. Esta é a população que por orientação governamental foi convocada para um dever especial de protecção, a par das pessoas com mais de 70 anos.

E é esta situação que tem levantado muitas dúvidas. Não é por ter diabetes que uma pessoa fica mais exposta ao vírus. Mas, se isso acontecer, a probabilidade de desenvolver complicações mais graves e a taxa de mortalidade por Covid-19 é mais elevada do que em pessoas sem diabetes, principalmente se tiver mais de 60 anos de idade. Se a mortalidade é em 95% das vezes nas pessoas acima dos 60 anos, ela ocorre principalmente nas doenças cardiovasculares (cerca de 20%), na diabetes (cerca de 10%), na insuficiência respiratória (cerca de 8%) e nas pessoas com cancro (cerca de 6%). Para ver a sua vida salvaguardada, à semelhança do que foi feito para as pessoas com mais de 70 anos, as pessoas com as doenças estabelecidas como de maior risco viram-se classificadas nas pessoas decisivas no isolamento social para conter a gravidade da pandemia.

Em Portugal há 1,3 milhões de pessoas com diabetes e a grande maioria tem mais de 60 anos, cerca de 800 mil. É preciso que essas pessoas com diabetes a partir dos 60 anos, que não estejam reformadas, em teletrabalho, tenham (estejam em?) atendimento público, ou que não possam estar isoladas no lugar de trabalho ou ainda que tenham situações de saúde mais complexas, fiquem em casa e cumpram a sua protecção especial, uma quarentena rigorosa. E para isso os médicos de família e de saúde pública têm requerido orientações. Ou acreditamos nas pessoas e na sua consciência e honorabilidade, ou o actual sistema de baixa médica terá que ser assumido pelos profissionais mais próximos das pessoas (e que conhecem bem a sua situação e o seu contexto), directamente ou por sua indicação para os colegas de saúde pública.

E estou certo que não será por parte dos médicos de família que não será feito o que tem mesmo que ser feito!

A APDP – Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, tem trabalhado junto do Ministério da Saúde para que o regime de proteção especial seja revisto e alargado com urgência às pessoas com diabetes (ou outras doenças específicas) com mais de 60 anos. Reconhecemos o esforço e o trabalho extraordinário que tem sido desenvolvido, mas falta um importante passo em frente. O isolamento social é neste momento a primeira fronteira para o vírus. É preciso que o regime de proteção especial aprovado pelo Governo seja redefinido de modo a incluir estas pessoas.

Por acreditar que todos temos algo a fazer numa situação de emergência como a que vivemos, a APDP implementou um sistema de teleconsultas ainda antes da declaração do estado de emergência, liga todos os dias a milhares dos seus utentes para saber como estão e a dar uma palavra de conforto, criou uma linha aberta (telefone 213816161) para todo o país, de apoio e orientação, criou um serviço domiciliar de entrega de medicamentos, continuando, porém, a observar novos casos de diabetes ou situações urgentes. Mas não chega: a APDP tem recebido muitos pedidos de ajuda, na sua maioria relacionadas com as medidas de proteção em caso de não isolamento, nomeadamente de como aceder à baixa médica. Entramos no domínio do que “o que tem que ser, tem mesmo que ser“. Uma orientação clara e precisa. Uma responsabilidade assumida.

Até que seja publicada a orientação que tanto defendemos, as pessoas com diabetes que continuam a trabalhar devem continuar a seguir rigorosamente as instruções de prevenção recomendadas pela Direção-Geral da Saúde, mantendo a distância social com os colegas de trabalho, para além das medidas de higiene tão difundidas.

Texto escrito de acordo com a antiga ortografia.

Fonte: www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/covid-19-ou-comvida-20-12003103.html

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