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Cuidadores partilham casa com idosos 24 horas para os proteger do surto

Há famílias a pagar mais de 2 mil euros mensais a empresas de apoio domiciliário para terem sempre alguém a cuidar dos idosos nas suas casas. Para quem não pode pagar, a CML lançou uma rede solidária.

Há mais de uma semana que Maria Guiomar fechou a porta do seu T1 na linha de Sintra e se mudou para o centro de Lisboa, para a casa da idosa a quem prestava assistência domiciliária de segunda a sexta-feira, desde que a doença de Alzheimer a atirou para uma situação de dependência completa. Uma mudança temporária mas sem data certa de saída, sujeita à evolução da Covid-19. E visto que a pandemia pelo novo coronavírus se pode prolongar até maio, não foi tomada de ânimo leve. “Já vivo sozinha há muitos anos. Tenho os meus hábitos e rotinas. Por isso, quando a família da idosa me pediu para ficar aqui a residir, e assim evitar os transportes públicos, fiquei sem reação. Mas se não aceitasse e fosse para casa, ia estar lá fechada. Aqui, sou útil”, justifica ao jornal Observador.

À noite, no quarto que já foi das visitas e, agora, é seu, as horas custam a passar. A televisão é um consolo nos dias em que não fala por whatsapp com o filho, já criado e com vida própria. Durante o dia, o tempo foge-lhe. Cuidar de uma idosa com demência durante 24 horas por dia, sete dias por semana, além de ser uma “enorme responsabilidade” é também “desgastante”, assume Guiomar. Mais difícil é pedir-lhe para falar sobre o valor acordado com a família pela assistência domiciliária. A cuidadora evita dar um número certo mas não esconde que é um trabalho “bem pago” e que lhe vai permitir dar uma entrada para um carro novo. Até lá, o truque é viver dia a dia.

A história de Maria Guiomar está longe de ser uma exceção. Pelo contrário. Nas últimas semanas, e antecipando o crescimento exponencial de infetados por Covid-19, os prestadores privados de apoio domiciliário pediram aos colaboradores que ficassem de “quarentena voluntária” nas casas dos idosos em situação de dependência física ou psíquica. Desta forma, deixariam de utilizar os transportes públicos e de se expor a riscos desnecessários. Para Teresa Sobral, responsável pela empresa Pluriapoio, que presta apoio domiciliar a mais de 70 idosos na região da Grande Lisboa, esta é a única solução que permite “minimizar os riscos de contágio”.

Fonte: https://observador.pt/especiais/como-os-idosos-se-defendem-do-coronavirus-dos-que-pagam-2-mil-euros-por-um-cuidador-24h-dia-aos-que-so-contam-com-a-solidariedade/?fbclid=IwAR1lQ7Su_lQ_zIAtEdfmA5GsBHj2u0Ltbznu81t-lPU4ecN2G5fk-IV6dso

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