Pessoas com prótese auditiva são “tratadas como sendo menos competentes”

Combater o estigma em torno dos problemas da saúde auditiva deve ser “uma prioridade”,

Combater o estigma em torno dos problemas da saúde auditiva deve ser “uma prioridade, segundo Leonel Luís, coordenador da Unidade de ORL da Clínica de Santo António (CLISA) do Grupo Lusíadas, na Amadora. O especialista falou à Just News a propósito de um rastreio realizado nas instalações da Clínica no Dia Mundial da Audição, que se assinalou no dia 3 de março.

Leonel Luís não tem dúvidas de que ainda há muito a fazer para se quebrarem algumas ideias erradas em torno de quem sofre de algum problema de audição. “É normal, aos olhos da sociedade, que se usem headphones para ouvir música, mas não uma prótese auditiva. Estas pessoas são discriminadas e tratadas como sendo menos inteligentes, chegando-se ao ponto de terem dificuldades em progredir na carreira, por exemplo, por as considerarem menos inteligentes e competentes”.

Para o otorrino, existem “uma série de ideias pré-concebidas” que acabam por levar ao atraso no diagnóstico e no tratamento:A perda auditiva costuma ser progressiva e bilateral, logo as pessoas tendem a não se aperceber da mesma. Mas, mesmo após o diagnóstico, verifica-se alguma resistência por causa do estigma associado”.

As pessoas habituam-se a que os sacos não façam tanto barulho, que o ar condicionado seja silencioso, que não haja tantos passarinhos a cantar… O problema é que se se estiverem muito tempo com essa perda, mesmo com reabilitação, nunca se vão conseguir os resultados que se obtêm quando o diagnóstico surge numa fase inicial”, afirma.

Leonel Luís defende ainda a necessidade de se criar um rastreio universal na idade pré-escolar”. Até porque “existem patologias que passam despercebidas e que, quando não são tratadas, podem provocar surdez”.

Fonte: https://www.justnews.pt/

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