Aumento de anúncios a aparelhos auditivos preocupa médicos

Os otorrinos alertam para a necessidade de saber identificar a qualidade destes equipamentos, a importância dos médicos no aconselhamento e defendem uma maior regulação deste mercado

Com o crescente número de anúncios de próteses auditivas e amplificadores que aparecem regularmente na televisão, nomeadamente em programas da manhã, vistos maioritariamente por idosos, os otorrinos alertam para a necessidade de saber identificar a qualidade destes equipamentos, a importância dos médicos no aconselhamento e defendem uma maior regulação deste mercado.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cabeça e Pescoço, Pedro Escada, defendeu que os anúncios de venda destes dispositivos deviam ser proibidos ou pelo menos acautelados” para proteger principalmente os idosos que são “pessoas vulneráveis”.

O especialista salientou que “a maior parte das pessoas que têm perda de audição” são idosos e que “o aparelho não lhes vai restituir uma audição igual e normal”. Na “melhor das hipóteses causará alguns incómodos relacionados com a doença auditiva”. No seu entender, o maior problema de comprar estes aparelhos não são as infeções, mas a pessoa não ficar satisfeita.

No que respeita à regulação e de acordo com o Infarmed, contactado pela agência Lusa, existem no mercado aparelhos auditivos que são amplificadores e que não se enquadram na definição de dispositivos médicos, porque não se destinam a uma finalidade médica.