Qual o impacto do colesterol em excesso no cérebro?

Foi divulgado um estudo dos investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra…

Foi divulgado um estudo dos investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) que revela que o colesterol em excesso no cérebro pode ter impacto na terapia de doenças degenerativas.

A investigação foi conduzida por Luís Pereira de Almeida (investigador do CNC-UC e docente da Faculdade de Farmácia da UC), por Nathalie Cartier (do Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale, de França) e por Sandro Alves (do Institut du Cerveau et de la Moelle Epinière de França) e “demonstrou de que forma a limpeza de colesterol em excesso presente no cérebro pode ter impacto na terapia de ataxias espinocerebelosas, como a doença de Machado-Joseph”.

A publicação na revista científica Acta Neuropathologica avalia o papel da proteína CYP46A1 (responsável pelo processo de hidroxilação, ou seja, de transformação do colesterol em excesso) na ataxia espinocerebelosa do tipo 3, a doença de Machado-Joseph (DMJ), enfermidade hereditária, caraterizada pela descoordenação motora, atrofia muscular, rigidez dos membros, dificuldades na deglutição, fala e visão, e causada pela acumulação da proteína ataxina-3 mutante. A próxima etapa do estudo passará por perceber melhor como é que a limpeza do colesterol em excesso e autofagia (processo pelo qual as células degradam e reciclam os seus componentes) se relacionam com a acumulação de ataxina-3 mutante.

O trabalho contou com o financiamento da Comissão Europeia (programa JPND co-fund), do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), do COMPETE 2020, da Fundação pela Ciência e Tecnologia (FCT), do NeuroATRIS, do Fundo de Investigação para a Doença de Machado-Joseph de Richard Chin e Lily Lock, da Fundação Nacional de Ataxias e da Fundação para a Investigação Médica de França.