A mente interfere no estado de saúde?

O corpo humano materializa e transforma o stress em doenças e as práticas que serenam…

O corpo humano materializa e transforma o stress em doenças e as práticas que serenam a mente apresentam benefícios mais do que comprovados na saúde. Na ligação entre mente e corpo existem mensageiros que funcionam como uma espécie de emails entre células, levando-lhes informação que consigam entender e traduzir. Os exossomas estão entre as várias formas de comunicação celular, podendo, efetivamente, estar implicados nesta relação entre a mente e a saúde/doença. Perceber esta ligação poderá trazer inúmeros benefícios porque será possível implementar estratégias eficazes de prevenção da doença, evitando que esta aconteça ou se agrave através de estratégias simples, como a meditação.

Por isso nasceu o MindGAP, o novo projeto coordenado pelo ISEP, através do grupo de investigação BioMark, que pretende identificar as alterações nestes mensageiros que estão relacionadas com a doença ou a saúde. Esta informação poderá depois ser usada para detetar e monitorizar doenças de uma forma muito precoce, sem precedentes. O MindGAP terá uma duração de 4 anos onde serão observados vários grupos e testadas abordagens de meditação para esclarecer esta relação inevitável e a melhor forma de promover a saúde através de uma prática simples e sem custos.

Serão envolvidos doentes selecionados pelo IPO-Porto, diagnosticados com cancro da mama, da próstata e colo-retal, e que terminaram o seu tratamento, mas que continuam sob vigilância do hospital. No final do projeto será possível identificar as caraterísticas fundamentais que variam entre um paciente com meditação e sem meditação e registar quais as condições em que as pessoas poderão optar por práticas de meditação para ajudar a reestabelecer a sua saúde. Depois de identificado o elemento chave nesta comunicação, o BioMark vai desenvolver um dispositivo portátil para rastrear exossomas e o seu conteúdo, possibilitando que cada pessoa possa relacionar esta informação com o seu próprio estado de saúde e promover uma atitude pró-ativa contra a doença.

O projeto arrancou em abril de 2019 e pertence à call europeia FET-OPEN (Future and Emerging Technologies), do pilar da excelência científica, sendo financiado entre 375 propostas. No total, estão envolvidas cinco equipas de investigação, incluindo Portugal (ISEP e IPO-Porto), Suécia (Universidade de Linnaeus) e Finlândia (VTT e Universidade de Oulu), com um orçamento de 4,4 milhões de euros.